Reviravolta pode colocar Kassab como candidato a governador

Dr. Hélio, prefeito de Campinas, entraria como vice na chapa que pode recebr o apoio de José Serra

Gustavo Porto, AE

19 de agosto de 2009 | 19h44

A corrida eleitoral para o governo paulista pode caminhar para uma reviravolta, com as articulações, nos bastidores, para que o prefeito Gilberto Kassab (DEM), de São Paulo, e o de Campinas (SP), Hélio de Oliveira Santos (PDT), o Dr. Hélio, sejam candidatos à sucessão do governador paulista José Serra (PSDB). O nome de Kassab ganhou força com o seu bom desempenho nas pesquisas eleitorais e Hélio seria uma aposta do PMDB, que já fez um convite para que ele deixe o PDT. Neste cenário, ambos poderiam angariar um apoio importante, do tucano José Serra, um dos nomes cotados para disputar a Presidência da República pelo PSDB.

 

Indagado sobre a aposta do PMDB para lançar o seu nome ao Palácio dos Bandeirantes, Hélio desconversa e diz que pode até ser candidato ao governo paulista, desde que seja por uma ampla frente partidária de oposição, ungida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com a finalidade de tirar o PSDB do comando do Estado. Porém, admite que seria uma "deselegância" dizer um não ao convite do PMDB feito pelo ex-governador e presidente estadual da sigla, Orestes Quércia, e ratificado pelo presidente nacional, Michel Temer. "O convite é natural, já que o PMDB já foi o meu partido", afirmou em entrevista à Agência Estado.

 

Além dessa afirmativa, o prefeito de Campinas garante que se Kassab, um dos principais aliados do governador Serra em São Paulo, for candidato ao governo paulista, irá apoiá-lo. "Se o DEM suscitar o nome do Kassab eu vou apóia-lo", disse o prefeito, em entrevista à Agência Estado. Em São Paulo, PMDB e DEM, com Quércia e Kassab na liderança, já definiram que estarão juntos na corrida ao governo paulista. E ambos já fecharam apoio à candidatura presidencial de Serra nas eleições 2010.

 

Num contraponto aos elogios a Kassab, Hélio criticou o ex-governador e atual secretário de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, por ele ter apoiado o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP) nas eleições municipais de 2008 e 2004, vencidas pelo pedetista. Ainda nas críticas, o prefeito de Campinas não poupou também a eventual candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo paulista, classificada por ele de aventura.

 

A defesa do Dr. Hélio a Kassab chegou a constranger o ministro do Trabalho e presidente nacional do PDT, Carlos Luppi, em um evento anteontem em Campinas, justamente uma prévia da pré-candidatura de Hélio ao governo. Luppi disse que não deveria ter ido ao evento se soubesse que iria ouvir do prefeito a defesa da aliança com Kassab e o Democratas. O ministro falou abertamente que Campinas foi, depois de São Paulo, a cidade que mais recebeu recursos do governo federal, cerca de R$ 2 bilhões, e destacou a presença constante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cidade paulista.

 

O presidente estadual do PDT paulista, deputado federal Paulo Pereira da Silva, afirmou que "o PDT jamais estará em uma aliança com o PSDB e o DEM em 2010" e que "se o Hélio não quiser ser candidato ao governo pelo partido, o PDT apoiará a frente de esquerda que se forma com PT, PSB, PC do B e até mesmo o PP". Na sexta-feira (21), o partido deve realizar um ato oficial, às 18 horas, na capital paulista, para lançar a pré-candidatura de Hélio ao governo. "Eu não vou por ser contra a pré-candidatura e também porque estarei na reunião da Frente Nacional de Prefeitos", rebateu o prefeito de Campinas.

 

Dentro do PT, que tenta liderar a frente de oposição para tirar o PSDB do governo paulista, a avaliação é que o discurso de Hélio revelou as pretensões do governador Serra de repetir, no Estado, o apoio a Kassab contra Alckmin, verificado nas eleições municipais do ano passado na capital paulista.

 

O PT prefere não esperar o avanço no namoro de Hélio com o PMDB e o Democratas e já iniciou internamente, e com cautela, uma "operação abafa" para não perder seu principal palanque no interior de São Paulo, tanto para o pleito local como para dar suporte à pré-candidata à Presidência, ministra Dilma Rousseff.

 

O presidente estadual do PT Edinho Silva adotou o discurso conciliador, disse que o partido reconhece a liderança de Hélio e defendeu a participação do prefeito no projeto alternativo ao PSDB em São Paulo. "O Hélio é uma grande lideranças e nós defendemos abertamente que ele esteja conosco no nosso projeto alternativo para o governo paulista em 2010.

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