Revelação explica choro em Belo Horizonte na semana passada

Com fama de durona, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, tentou a todo custo não demonstrar abatimento ao saber que estava com tumor no sistema linfático. Demorou para falar sobre a doença com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e não contou nada nem mesmo para os amigos mais íntimos. Acostumada a ser vista como uma fortaleza, Dilma segurou o problema sozinha. No último dia 17, porém, mesmo sem revelar nada a ninguém, não conteve a emoção e caiu no choro durante entrevista na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). O assunto, aparentemente, era trivial: sua ligação com Belo Horizonte. Ao ser questionada se aquele retorno à capital mineira, sua cidade natal, era uma "viagem sentimental", a pré-candidata do PT à Presidência ficou com a voz embargada. "É o som da infância esse sentimento", disse ela, em prantos. Silêncio na sala. A entrevista chegou a ser interrompida por alguns segundos, sem que ninguém entendesse por que Dilma estava tão emocionada. "Deixem eu me recompor", pediu a ministra. Ainda com os olhos marejados, a chefe da Casa Civil lembrou o escritor Guimarães Rosa e destacou a musicalidade da fala mineira. "Belo Horizonte é o lugar em que eu nasci, me criei, passei minha juventude e fiquei adulta. É muito forte para mim, porque eu acho que temos uma característica única: esse som que eu disse, essa melodia que tem na fala também tem no jeito de ser, na relação com as pessoas", insistiu. E, mais uma vez, chorou. A exposição da ministra na Fiemg sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), seguida de entrevista, foi o primeiro de uma série de compromissos que começaram logo cedo e só terminaram perto das 23 horas. Três dias depois de cumprir essa agenda carregada, Dilma chegou às 8 horas ao Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Saiu de lá só à noite.

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