'Revanche' da base petista complica acordo com PMDB em Minas

PT e PMDB indicaram nesta quarta-feira a escolha por um palanque único no Estado

Malu Delgado / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2010 | 13h37

A obsessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da direção do PT em eleger Dilma Rousseff à Presidência piora, gradualmente, o prognóstico da representação da sigla nos Estados. Hoje, o PT teria maior possibilidade de reeleger dois governadores: Jaques Wagner na Bahia e Marcelo Déda em Sergipe. No campo adversário, o PSDB já trabalha com a perspectiva de eleger oito governadores. Já no mapa do PMDB, o partido almeja controlar de oito a dez Estados.

 

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A constatação, feita por segmentos do PT, coloca novas dificuldades ao acordo em Minas Gerais traçado pelo Palácio do Planalto em que o pré-candidato vitorioso nas prévias, Fernando Pimentel, abriria mão da disputa por exigência do PMDB, que já indicou o ex-ministro Hélio Costa (Comunicações).

 

"Negociação não é rendição", avisou Pimentel, que é atualmente o coordenador da pré-campanha de Dilma. O PT mineiro está decidido a convencer o presidente Lula da necessidade de lançar Pimentel. Porém, a forte ascendência do presidente sobre os petistas torna remota a mudança de cenário.

 

Senado

 

O mais provável ainda é que Pimentel seja indicado ao Senado e os petistas apresentem um nome para a vice de Hélio Costa. Mas o acordo, se prosperar, não será tão simples como almejam os dirigentes do PT e do PMDB. Internamente, Pimentel já deixou claro que fará o que Lula e Dilma avaliarem ser a melhor estratégia para a disputa nacional.

 

O diretório estadual do PT fará encontro nos dias 21, 22 e 23 de maio no qual pretende homologar a candidatura de Pimentel. Caberá, neste caso, uma intervenção do Diretório Nacional para barrar a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte.

 

O problema, já antecipado pela cúpula do PT, é que parte dos integrantes do diretório podem utilizar o caso de Minas como uma espécie de revanche. O PT abriu mão de candidaturas nos Estados para facilitar a composição com o PMDB ou outros aliados, sendo obrigado a engolir os palanques duplos, como no caso da Bahia, em que Jaques Wagner disputará com o ex-ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional).

 

"Quem votou no Pimentel nas prévias votou acreditando que ele será candidato", disse o deputado federal Virgílio Guimarães (MG). Dirigentes nacionais do PT e do PMDB alardearam a tese, nos bastidores, de que a realização das prévias em Minas foi apenas um jogo de cena, o que é contestado pelo partido no Estado.

 

Virgílio Guimarães, inclusive já cotado como possível vice de Hélio Costa para fechar o acordo que lançará Pimentel ao Senado, admite que o PT perdeu muito tempo em articular um nome em Minas, o que facilita a pretensão do PMDB. "Se já tivéssemos trabalhado uma candidatura há seis meses, isso teria progredido. Hoje, é prejuízo contabilizado."

 

A única possibilidade de o PT bancar a briga com o PMDB em Minas é Lula ser convencido de que Hélio Costa terá dificuldades de emplacar numa eleição polarizada com o ex-governador Aécio Neves (PSDB), cabo eleitoral do tucano Antonio Anastasia, atual titular do governo. Nas palavras de um dirigente, "ninguém ousa comprar uma briga com Lula". E é o presidente quem arbitrará a contenda.

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