Réus vão responder por peculato e corrupção

Decisões de ontem atingem todo o núcleo publicitário do esquema

Eugênia Lopes e Leonencio Nossa, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2025 | 00h00

O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu ontem processo contra 19 envolvidos no escândalo do mensalão, o que alcançou todo o núcleo publicitário do chamado valerioduto, acusado de operar o dinheiro e os negócios do esquema do mensalão. Na parte até agora mais importante do julgamento, o plenário aceitou, por maioria de votos, os indícios de crimes apresentados pelo Ministério Público Federal contra Luiz Gushiken (ex-ministro da Secretaria de Comunicação de Governo), João Paulo Cunha (ex-presidente da Câmara e atual deputado do PT), o grupo do empresário Marcos Valério e quatro dirigentes do Banco Rural, a começar por sua presidente, Kátia Rabello. Os trabalhos no STF terminaram às 19h20 e recomeçam segunda-feira às 14 horas.   Veja especial do julgamento Por 6 votos a 4, o plenário acatou a denúncia de peculato contra Luiz Gushiken, um dos ministros mais influentes do primeiro governo Lula, por suposta ordem dada em 2003 ao então diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, para antecipar um pagamento de R$ 73 milhões à agência de publicidade DNA, do grupo de Marcos Valério. Esse grupo seria o encarregado, segundo as investigações, de distribuir o dinheiro do mensalão a parlamentares aliados e a credores do PT. A prática de crime de peculato, apropriação de dinheiro público, prevê penas que podem ir de 2 a 12 anos de prisão.Com base em dados da Polícia Federal e da CPI dos Correios, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, argumentou que o dinheiro do valerioduto - como ficou conhecida a suposta rede de distribuição de dinheiro público para os mensaleiros - teria como fonte a empresa Visanet, ligada ao Banco do Brasil. Por sua vez, João Paulo Cunha, primeiro petista a virar réu, vai ter de responder por crimes de peculato, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O plenário entendeu, por unanimidade, que há indícios suficientes de peculato num contrato sem licitação firmado entre o então presidente da Câmara, no valor de R$ 252 mil, com a DNA. A agência não teria feito o serviço previsto no contrato. A defesa de João Paulo também não conseguiu livrá-lo de um processo por lavagem de dinheiro. A mulher do deputado, Márcia Regina, fez um saque de R$ 50 mil na boca do caixa numa agência do Banco Rural, em Brasília, considerado suspeito pelo Ministério Público.O ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto (atual prefeito de Uberaba, em Minas Gerais) e seu ex-assessor José Luís Alves serão processados por lavagem de dinheiro. Pelo mesmo crime serão processados ainda o deputado Paulo Rocha (PT-PA) e sua assessora Anita Leocádia, os ex-deputados João Magno (PT-MG) e Professor Luizinho (PT-SP). Também se tornaram réus o empresário Marcos Valério e seus sócios Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, por crime de peculato, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Um terceiro sócio de Valério, Rogério Tolentino, vai responder apenas por lavagem de dinheiro. As funcionárias do grupo de Valério, Simone Vasconcelos e Geiza Dias, estão na lista dos réus por lavagem de dinheiro no esquema do mensalão. O plenário ainda abriu processo contra a diretoria do Banco Rural. São acusados de gestão fraudulenta, crime previsto na Lei do Colarinho Branco, e lavagem de dinheiro a presidente Kátia Rabello e os diretores Vinícius Samarane, Ayanna Tenório de Jesus e José Roberto Salgado.

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