Réus no mensalão, Genoino e Cunha negam envolvimento

Os dois foram os primeiros envolvidos no esquema a serem interrogados; depoimentos continuam nesta terça

VANNILDO MENDES, Agencia Estado

17 de dezembro de 2007 | 17h02

Em depoimento de quase duas horas na 10ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, o deputado federal José Genoino (SP), ex-presidente do PT e acusado de envolvimento no caso mensalão, negou qualquer participação no núcleo central da "quadrilha". De acordo com a denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, o esquema consistia na compra de votos de deputados em troca de apoio a projetos do Executivo.  Veja também:    Especial: quem são os 40 do mensalão   João Paulo nega envolvimento no mensalão Ao chegar para depor, Genoino se diz inocente no mensalão Nesta manhã o ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha, foi interrogado por duas horas e meia e também  negou ter participado do esquema. Ele admitiu, porém, ter recebido R$ 50 mil das contas de Marcos Valério, dinheiro que disse acreditar que era do diretório do PT. Nesta terça, serão interrogados os deputados Pedro Henry (PP-MT), Waldemar Costa Neto, presidente do PR, e Paulo Rocha, ex-líder do PT na Câmara. Interrogado pela juíza Maria de Fátima Costa, Genoino atribuiu a outros dirigentes do PT o exercício das funções em que supostamente teria praticado irregularidades mencionadas na denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF). O deputado afirmou que não tinha a atribuição de lidar com dinheiro ou administração financeira no partido, e que essa tarefa era do secretário de Finanças, Delúbio Soares. "Minhas atribuições eram essencialmente políticas e de representação. Não cuidava das finanças, não cuidava da administração da sede (do partido) nem fazia indicações para cargos no governo."Ele negou que, como presidente da legenda, tenha influído na escolha de pessoas para ocuparem cargos no governo federal. "Jamais tive qualquer influência na escolha de nomes. Essa era uma tarefa de atribuição do secretário de Organização do partido, Sílvio Pereira." Genoino negou também que tenha participado de negociação com os bancos Rural e BMG sobre empréstimos para o PT e disse que só foi informado desses empréstimos depois, na hora da prestação de contas."Acho que fui denunciado pelo que eu era, e não pelo que eu fiz", declarou. Ele afirmou que a denúncia contra ele foi de caráter "político", por ter sido presidente do PT. Negou que soubesse de negociações em que políticos governistas deram seus votos a projetos do governo em troca de recursos financeiros.   Ao chegar à Justiça Federal, Genoino, disse estar confiante na sua absolvição e afirmou não ter cometido nenhuma irregularidade no esquema do mensalão. "Eu quero afirmar minha confiança na Justiça e na verdade. Os empréstimos que avalizei estão absolutamente legais, registrados no Tribunal Superior Eleitoral em 2004, 2005, 2006 e 2007", afirmou.   Nesta terça, serão interrogados os deputados Pedro Henry (PP-MT), Waldemar Costa Neto, presidente do PR, e Paulo Rocha, ex-líder do PT na Câmara.

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