Réus do mensalão têm até 3ª para recorrer de decisão do STF

No final de agosto, STF decidiu abrir processo contra todos os 40 acusados de participar de esquema político

Agência Brasil

12 de novembro de 2007 | 14h25

Os advogados de defesa dos 40 réus na ação penal que investiga a existência do esquema do mensalão têm até esta terça-feira, 13, para entrar com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra pontos do acórdão do julgamento da denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza. No final de agosto, o STF decidiu abrir processo contra todos os 40 acusados de participar de esquema de compra de votos em troca de apoio político ao governo.   O acórdão tem cerca de 20 páginas e foi publicado no Diário da Justiça da União na última sexta-feira, 72 dias após os ministros do Supremo decidirem pela abertura do processo criminal. Os próximos passos do processo serão o interrogatório dos réus e das testemunhas.     Veja também: Especial: Os 40 do mensalão Procurador encaminhará novas provas do mensalão ao STF Acusados recorrem aos mais renomados e caros advogados       Para o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB), o julgamento do caso deve demorar, em função da própria natureza jurídica do caso. Em entrevista à Rádio Nacional, ele também destacou "o direito de ampla defesa de cada um dos 40 réus, além de todas as brechas e oportunidades para os advogados de defesa que existem no Código Penal".   A opinião também é compartilhada por Everardo Ribeiro, advogado especialista em direito penal. Para ele, a demora é "uma conseqüência lógica" e "será inevitável". De acordo com Ribeiro, "a presença de vários réus já é um indicador de que o julgamento seja demorado".   O caso do mensalão foi denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ). Segundo o antigo presidente do PTB, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo. A denúncia contra os 40 acusados foi apresentada ao STF pela Procuradoria Geral da República em 2006.     Novas provas   O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, encaminha nas próximas semanas oito petições ao STF contendo novas provas da existência do mensalão. Durante o julgamento, o procurador avisou que, depois de publicado o acórdão do julgamento, encaminharia as novas provas. O acórdão foi publicado nesta sexta-feira, 9.     Do acervo de novas provas faz parte o resultado de uma perícia feita pela Polícia Federal (PF), que comprovaria o uso de recursos do fundo Visanet, do Banco do Brasil, para alimentar o esquema do mensalão. O BB teria pago antecipadamente R$ 73 milhões antecipados à empresa DNA, de Marcos Valério, por ordem do então ministro Luiz Gushiken.

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