Reunião entre sem-terra e secretário termina em discussão

Depois de mais de quatro horas de reunião, o secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania, Alexandre de Moraes, e líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST)discordaram publicamente dos termos do acordo que, segundo os dois lados, acabara de ser firmado sobre a reintegração de posse e a desocupação de duas áreas invadidas este mês por sem-terra no Estado, uma em Mogi-Mirim e outra em Alambari, na região de Sorocaba. Durante entrevista coletiva no final da reunião, o secretário discutiu rispidamente com o dirigente nacional do MST Delvek Matheus e foi acusado pela líder da invasão de Alambari, Maria Rodrigues, de "descumprir diante daimprensa o acordo que acabara de fazer" com as lideranças.O secretário afirmou que as lideranças dos sem-terra haviam se comprometido a desocupar pacificamente as áreas até a próxima sexta feira. Em contrapartida, a Secretaria de Justiça faria gestões imediatas para adiar até esta data o cumprimento pela Polícia Militar da ordem de reintegração de posse, expedida pela Justiça na semana passada.Delvek desmentiu o secretário. Disse que não fora estabelecida nenhuma data para a desocupação da área e que tanto o secretário como o superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Raimundo Pires da Silva, haviam se comprometido durante a reunião a ajudar os sem-terra a encontrar uma nova área para levar as famílias acampadas. "Se o acordo (da desocupação até sexta-feira) não foi feito, então vamos cumprir hoje a reintegração de posse", reagiu o secretário, elevando o tom de voz e interrompendo a entrevista que Delvek dava naquele momento.Maria Rodrigues, de Alambari, que também integra a Comissão de Negociação do MST, também acusou o secretário de "descumprir na frente da imprensa" o acordo de acabara de firmar com as lideranças. "O que ficou combinado é que encontraríamos uma nova área para levar as famílias e só então faríamos a desocupação", argumentou ela.Só a intervenção cautelosa do novo superintendente do Incra, que chegou a se desculpar antes de intervir ? "tanto microfone me deixa tímido", justificou ele ? acalmou os ânimos. "Está todo mundo falando a mesma coisa", disse ele. De acordo com Pires da Silva, os sem-terra realmente se comprometeram a cumprir pacificamente a reintegração de posse. "Só que, ao mesmo tempo, todos nós nos comprometemos a tentar negociar com os juizes que concederam as liminares para que os prazos sejam dilatados. Enquanto isso, eles vão tentar encontrar uma nova área para levar as famílias acampadas", disse ele. O superintendente atribuiu a confusão sobre os termos do acordo recém firmado e as discussões na sala de reuniões do secretário à "tensão que sempre acompanha" as reintegrações de posse. "Há crianças e mulheres envolvidas e o processo nunca é tranqüilo. Mas o fato é que na reunião de hoje ficou claro que de todos os lados está se buscando uma solução", concluiu ele.

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