Jarbas Vasconcelos/EFE
Jarbas Vasconcelos/EFE

Reunião entre comissão e liderança de policiais militares termina sem acordo

Novo encontro está marcado para às 10 horas desta sexta-feira, na sede do Ministério Público do Ceará

Lôrrane Mendonça, especial para O Estado

27 de fevereiro de 2020 | 21h03

FORTALEZA - A comissão formada pelos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário do Ceará se reuniu na tarde desta quinta-feira, 27, na sede do Ministério Público do Estado, com as lideranças dos policiais e bombeiros militares que pararam as atividades há dez dias.  

Mediado pelo Ministério Público e pela OAB-CE, o encontro teria como objetivo negociar algumas exigências sobre uma nova proposta de reestruturação salarial por parte das categorias, mas após mais de 4 horas de reunião nada ficou decidido.

A previsão é retomar as negociações nesta sexta-feira, 28, às 10 horas, também na sede do Ministério Público.

Estiveram presentes o Procurador Geral da Justiça do Ceará, Manuel Pinheiro Freitas; o Procurador Geral do Estado (Poder Executivo), Juvêncio Viana; membro da Diretoria da Assembleia Legislativa, Deputado Evandro Leitão; o Desembargador Teodoro Silva Santos (Poder Judiciário); o Presidente da OAB-CE, Erinaldo Dantas; os representantes do Exército Brasileiro, Cel. Menezes Neto e Cel. Marcos Cesário; o Comandante da Força Nacional de Segurança, Cel. Aginaldo de Oliveira; representante da Força Nacional de Segurança, Cel, Wilson Melo de Souza; e os representantes dos policiais militares, Cel. Walmir Medeiros, Deputado Soldado Noelio, Vereador Sargento Reginauro e o Cabo Paulo Monteiro.

De acordo com o Cel. Walmir Medeiros, os pontos discutidos na reunião não serão divulgados para não gerar expectativas. “As negociações não são fáceis, mas avançaram. Estão faltando alguns pequenos ajustes. O que foi conversado vai ser levado para o Governo e para os policiais. Acredito que amanhã teremos avanços consideráveis”, afirmou.

O presidente Jair Bolsonaro, no entanto, afirmou nesta quinta, durante transmissão ao vivo nas redes sociais, que não irá renovar as operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para o Estado e cobrou do governo cearense uma solução do caso. "A gente espera que o governo resolva o problema da Polícia Militar do Ceará e bote um ponto final nessa questão", disse o presidente, ao pedir que o governador Camilo Santana (PT) negocie com a PM do Estado.

"No momento eu não tenho tranquilidade", argumentou Bolsonaro contra a prorrogação do prazo da GLO para além do prazo de oito dias vigentes, que expira nesta sexta-feira, 27. "Precisamos ter uma retaguarda jurídica", afirmou o presidente, defendendo a aprovação do excludente de ilicitude para militares em operações deste tipo.

Ainda segundo Bolsonaro, "GLO não é para ficar eternamente atendendo um ou mais governadores. GLO é uma questão emergencial". O presidente também pediu apoio aos governadores "para que o Parlamento vote o excludente de ilicitude".

O motim dos policiais militares fez aumentar a incidência de crimes no Ceará. Pelo menos 170 pessoas foram assassinadas desde a quarta-feira, 19, até a segunda-feira de Carnaval. Este número pode aumentar, já que a Secretaria de Segurança Pública do Ceará ainda não divulgou o balanço dos últimos dias.

Ao todo, 230 PMs respondem processos administrativos e foram afastados por 120 dias. Os agentes estão fora da folha de pagamento e podem ser expulsos da corporação. 2,8 mil homens do Exército e da Força Nacional circulam pela capital cearense e por cidades do Interior para reforçar a segurança nas ruas.

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