Reunião do governo com policiais federais termina sem acordo

O governo manteve a proposta de 15,8% de reajuste, diluído até 2015, além da ameaça de punição aos grevistas que praticaram excessos

Vannildo Mendes, do O Estado de S. Paulo,

23 de agosto de 2012 | 16h12

SÃO PAULO - A reunião entre o governo e a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), realizada nesta tarde, terminou sem acordo. O governo jogou duro com a categoria, uma das mais radicais na onda de greves no setor público que há semanas tumultua o País, e manteve a proposta de 15,8% de reajuste, diluído até 2015, no ritmo de 5% ao ano. Manteve também a ameaça de cortar o ponto dos grevistas e punir com rigor os que se excederem no movimento, coagindo a população e causando transtornos em portos, aeroportos e postos de fronteira.

 

Os policiais também não recuaram - eles insistem na reestruturação da carreira - e, diante do impasse, retornaram atordoados às bases nos 27 sindicatos estaduais que integram a Federação para discutir uma alternativa. A consulta está sendo realizada neste momento por videoconferência pelo presidente da Fenapef, Marcos Wink, que está preocupado com os rumos do movimento. "O governo tem se mostrado muito intransigente e isso só acirra a temperatura nas bases", comentou ele à saída na reunião, que durou mais de três horas, no Ministério do Planejamento.

 

A única concessão governo foi admitir levar a proposta de reestruturação, defendida por agentes, peritos, escrivães e pessoal administrativo, para uma rodada de discussão com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. O ministro mandou um emissário, o assessor especial Marcelo Veiga, para a mesa de negociações, presidida pelo secretário de Relações do Trabalho do Planejamento, Sérgio Mendonça.

 

Diante dos excessos praticados por policiais na greve, que já dura duas semanas em alguns Estados, a presidente Dilma Rousseff exigiu punição exemplar dos manifestantes que tenham ultrapassado os limites da legalidade. Irritada com o que considera abusos, especialmente na Polícia Federal e mais ainda na Polícia Rodoviária Federal, Dilma cobrou do ministro da Justiça a identificação dos policiais que cometeram abuso de poder ou outras irregularidades. Ela também determinou o corte do ponto dos faltosos.

 

Neste momento, Mendonça realiza rodada de negociações com os representantes da Polícia Rodoviária Federal, que decretou greve em 23 dos 24 distritos regionais. Até as 23 horas, outras categorias em greve passarão pela mesa de negociação para discutir acordos com o governo.

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