Reunião da Executiva do PT discutirá punição a ´aloprados´

Integrantes do governo e do PT lamentam que o próprio partido reacenda discussões éticas envolvendo integrantes da legenda num momento em que esses assuntos vinham sendo superados politicamente. Existe preocupação com os desdobramentos que possam ocorrer por conta do acerto de contas e não é à toa que a questão vem sendo tratada com muita cautela pelo Palácio do Planalto.A primeira situação com potencial para provocar constrangimento ocorrerá nesta segunda-feira, em reunião da Executiva Nacional do PT, que deve aprovar a abertura de processo na comissão de ética do partido para punir Oswaldo Bargas, ex-secretário-executivo do Ministério do Trabalho, e Expedito Veloso, ex-diretor do Banco de Brasil. Eles são dois dos "aloprados", segundo definição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se envolveram na produção do dossiê Vedoin, papelada que continha informações falsas para prejudicar a campanha de políticos tucanos. O segundo problema deve ocorrer como efeito colateral de uma eventual vitória do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara. Ninguém tem dúvida de que a eleição de Chinaglia abrirá a possibilidade para que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu apresente recurso pedindo anistia e tente reaver seus direitos políticos, cassados até 2015.Em setores do PT havia até uma comemoração pelo período de "sossego ético" que o partido vinha atravessando graças à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A vitória de Lula e a apresentação do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) haviam servido, na avaliação de dirigentes petistas, para mudar a agenda negativa do governo e do partido. Agora, temem que essa mudança se perca com a rediscussão sobre desvios éticos."De qualquer forma, a vitória de Lula não pode servir como redenção para o PT", diz o governador de Sergipe, Marcelo Déda, um dos que apóiam o documento Mensagem ao Partido, que sugere a criação de um código de ética para a legenda. "Estou conversando com o ministro Tarso Genro e com vários dirigentes. Só não estou disposto a engrossar um movimento para fundar mais uma tendência no PT".Desde 2004, os petistas foram alvejados por vários escândalos. Primeiro, com o ex-assessor parlamentar da Casa Civil Waldomiro Diniz, acusado de cobrar propina de empresários do jogo do bicho. Depois, com a queda da cúpula do partido e o envolvimento de parlamentares e ministros no escândalo do mensalão. Depois, na reta final da campanha de Lula, estourou o caso do dossiê Vedoin.Na contramão de Tarso, alguns ministros argumentam que uma nova discussão acalorada sobre as questões éticas do PT só atendem aos interesses da oposição e causam mais desgaste na imagem do partido e do governo. Para um interlocutor de Lula, o ideal agora é priorizar a votação de projetos que integram o PAC e tocar discussões de temas relevantes, como as reformas política e tributária.

Agencia Estado,

29 de janeiro de 2007 | 13h01

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