DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Reunião com Aécio e Anastasia foi 'atendimento de demanda parlamentar', diz Cardozo

Ministro da Justiça minimiza encontro com senadores do PSDB enquanto Anastasia está na mira das investigações da PF na Lava Jato

Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2015 | 16h27

Brasília - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou nesta quarta-feira, 9, que a reunião desta terça-feira, 8, com o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e o senador Antônio Anastasia (PSDB-MG), foi por causa de um pedido dos tucanos para discutir o projeto de lei que trata do terrorismo. O projeto é relatado por Anastasia.

"Foi um diálogo, marcado rapidamente durante à tarde, foi atendimento de uma demanda parlamentar específica, como habitualmente eu faço com todos parlamentares que solicitam", disse Cardozo. Ele não respondeu, entretanto, se a Operação Lava Jato fez parte da conversa com Aécio e Anastasia.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável pelas investigações da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), pediu no dia 27 o arquivamento do inquérito sobre Anastasia. A PGR entendeu que não havia "elementos mínimos" para prosseguir a apuração.

Cardozo comentou ainda a afirmação que fez na segunda-feira, 7, de que tinha "absoluta certeza" de que os chefes da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, Edinho Silva, "não serão denunciados" pelas acusações do empreiteiro Ricardo Pessoa, que disse em delação premiada ter repassado dinheiro ilícito a eles. "A absoluta certeza dá-se pelo conhecimento de anos que tenho dos ministros. É um convencimento pessoal, mas, claro, a Justiça é soberana, a Justiça decidirá", afirmou.

Impeachment. Sobre o movimento suprapartidário a favor da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, oficializado nesta terça-feira por parlamentares da oposição, o ministro da Justiça disse: "Infelizmente, líderes oposicionistas querem continuar discussão que, ao meu ver, foi sepultada nas eleições".

"É triste verificar que pessoas ainda não têm a percepção de que democracia no Brasil veio para ficar", declarou. De acordo com Cardozo, qualquer debate em relação a impeachment não pode ser uma discussão de "conveniência". "Não é possível falar em impeachment sem um ato imputável. Impeachment não é uma discussão de conveniência, é um processo jurídico e político, que existe base para ser feito", acredita.

O ministro afirmou ainda achar que os que discordam do resultado das eleições têm o direito de expressar opiniões, mas "tentar induzir um processo que não tem a menor base jurídica não parece aceitável democraticamente". "Democracia constrói-se na urna e respeitar resultado eleitorais é da democracia", completou.

Cardozo participou nesta quarta-feira, 9, de audiência na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara para discutir conflitos indígenas que acontecem em alguns Estados, como Mato Grosso do Sul.

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