Réu no mensalão, Marcos Valério é preso, agora por fraudes

Além dele, PF prendeu um de seus sócios durante a Operação Avalanche; eles ainda são acusados de extorsão

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2008 | 11h46

O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e seu sócio num escritório de consultoria, o advogado Rogério Lanza Tolentino, foram presos logo início da manhã, em suas residências, em Belo Horizonte. Valério foi surpreendido por volta de 6h em sua casa no bairro Castelo, na região norte da capital mineira. Segundo a PF, na Operação Avalanche, os agentes federais cumpriram ao todo quatro mandados de prisão (três de prisão temporária e um de prisão preventiva) e outros oito de busca e apreensão em Belo Horizonte. Foram presos também o advogado tributarista Ildeu da Cunha Pereira - superintendente jurídico do Cruzeiro e preso preventivamente - e uma funcionária de seu escritório: Eloá Leonor da Cunha Velloso.     Veja também: Os 40 do mensalão   Os advogados de Valério e Tolentino, ambos réus no processo do mensalão, disseram que não tinham informações sobre os fatos que motivaram as prisões de seus clientes. "A única coisa que a gente sabe é que ela (a investigação) tem origem em São Paulo", desconversou o advogado Marcelo Leonardo, que representa o empresário. "O assunto é absolutamente novo, ninguém teve acesso a nada".   "Só posso dizer o seguinte: é um processo que teve início em São Paulo no ano passado e na época o possível crime a ser investigado era contrabando. Eu nunca soube que Marcos Valério ou Rogério tivessem exportado ou importado qualquer coisa. Mas agora os delegados já falam em corrupção, outras coisas e a gente não tem como avaliar sem ver", afirmou Paulo Sérgio de Abreu e Silva, que representa Tolentino.   Pouco depois das 6 horas, Leonardo recebeu um telefonema de Valério, que o informou da voz de prisão e da operação de busca e apreensão em sua casa. O empresário não chegou a ser algemado. "O pessoal foi extremamente educado e atencioso", observou o advogado.   Leonardo que seguiu  mesmo para São Paulo, disse que ainda estuda se vai entrar com um pedido de habeas corpus em favor de seu cliente. "Quero primeiro ter acesso à decisão e aos autos".   Na sede da PF em Belo Horizonte, Valério e Tolentino permaneceram numa sala à espera da transferência para a capital paulista. Segundo fontes da PF, o empresário - de camiseta vermelha e calça jeans - demonstrava mais abatimento e constrangimento com a prisão. "Ninguém espera essa situação", comentou seu advogado.   Abreu e Silva contou que seu cliente e Valério passaram a maior parte do tempo "batendo papo". "Evidentemente que é uma situação constrangedora e ninguém está brincando".   O sócio de Valério disse ao advogado que não sabia os motivos de sua prisão. "Vamos segunda-feira para São Paulo para ver o que se trata", afirmou Abreu e Silva, informando que também não teve acesso ao processo e não deverá solicitar um habeas corpus. "Nem adianta entrar. Porque se entrar na segunda-feira, o prazo da prisão termina na terça-feira à meia-noite. Não dá tempo de julgar", justificou.   Tolentino foi preso em seu apartamento, no bairro Santo Antônio, região sul da capital mineira. Os agentes cumpriram mandado de busca e apreensão no local e em seu escritório de advocacia, onde recolheram HD's de computadores.   Segundo Abreu e Silva, seu cliente também não chegou a ser algemado e os policiais tiveram um comportamento "cordial". "No mandado de prisão constava essa recomendação de não haver publicidade e nem de emprego de algema porque a juíza (Paula Mantovani Avelino, da 1ª Vara Federal Criminal do Júri e das Execuções Penais de São Paulo) entendia que não era caso para isso".   Os suspeitos presos em Belo Horizonte deixaram a sede da PF em viaturas por volta das 17h. Eles seriam transportados para São Paulo em um avião da corporação.   Desde o estouro do escândalo do mensalão, que levou ao fechamento das agências de publicidade SMPB e DNA, Valério - cujos bens estão bloqueados - afirma que tem vivido de consultorias empresariais do escritório que mantém com Tolentino na zona sul de Belo Horizonte.   O Estado entrou contato com o escritório de advocacia de Pereira, mas uma funcionária disse que ninguém estava autorizado falar sobre prisão do advogado e de Eloá.     Entenda o Mensalão   O esquema do mensalão - pagamento de uma suposta mesada a parlamentares para votarem a favor de projetos do governo - foi denunciado por Roberto Jefferson, então deputado pelo PTB e presidente da legenda, que acabou sendo cassado por conta de seu envolvimento. Segundo ele, os pagamentos mensais chegavam a R$ 30 mil e o esquema de repasse do dinheiro era feito através de movimentações financeiras do empresário Marcos Valério.   Dos acusados de envolvimento no esquema, foram cassados José Dirceu, Roberto Jefferson (PTB-RJ), que denunciou o mensalão, e Pedro Corrêa (PP-PE). Quatro parlamentares renunciaram para fugir do processo e 11 foram absolvidos.   Texto alterado às 19h20  

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