Réu no mensalão deixa PMDB para apoiar PT em MG

Anderson Adauto, prefeito de Uberaba (MG), discordou de decisões do diretório nacional do partido

Guilherme Waltenberg, de O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2012 | 19h58

Um dia após a sustentação oral de seu advogado no Supremo Tribunal Federal no caso do mensalão, um dos réus do processo, o ex-ministro dos Transportes no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e atual prefeito de Uberaba, Anderson Adauto, anunciou a sua desfiliação do PMDB para dar apoio ao candidato do PT em sua cidade, o deputado estadual Adelmo Leão. Adauto afirma que desligou-se do partido porque os diretórios estadual e nacional intervieram na escolha do diretório municipal de lançar a candidatura do ex-secretário de governo, Rodrigo Mateus, e lançou o deputado federal e relator do Código Florestal, Paulo Piau.

"É uma intervenção e o diretório nacional, pelo trabalho dele (Piau) como relator do Código Florestal, determinou ao diretório estadual que fizessem isso e eles fizeram, achei um horror! Já que eu não estou com o candidato, resolvi apoiar o PT. Para apoiar o PT por inteiro, resolvi sair do partido, e não ter maiores problemas, então me desfiliei."

Adauto afirma que irá aguardar o resultado das eleições antes de filiar-se a outro partido ou retornar ao PMDB. "Se eles entenderem que fizeram errado, eu volto, senão, sigo outro caminho, até porque serei candidato a deputado federal em 2014. Não tenho problemas com o PMDB local", justificou.

Mensalão. Como um dos réus no caso do mensalão, Anderson Adauto contou nesta quarta-feira, 15, que ficou satisfeito com a exposição de seu advogado frente aos ministros do STF. Ele também se apresentou como autor da tese que defende o mensalão como um caso de caixa dois eleitoral e não a compra de parlamentares em troca de votos. "Quando estourou (o escândalo do mensalão), teve até CPI. Na minha participação na CPI, eu disse que era caixa dois da campanha. Todos acharam um absurdo. Mas é o que era. Eu disse que era. Fui o primeiro a falar sobre o caixa dois", apontou.

Para Adauto, a informalidade nos processos eleitorais tornavam corriqueiras práticas como o caixa dois. "Antigamente, você fechava a conta de campanha sem o rigor que se tem agora. Acho que o que acontece, não quero acusar ninguém, mas no Brasil era assim, o nível de informalidade era muito grande e se projetava nas campanhas (políticas)", justificou. Adauto responde pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa no caso do mensalão.

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