Retrospectiva 2011: Faxina ministerial abre espaço para reforma na Esplanada

Depois da saída de 7 ministros, presidente quer mexer em apenas 9 dos 38 ministérios e adotar esquema de rodízio com base

estadão.com.br

18 de dezembro de 2011 | 14h40

Antes mesmo de completar um ano completo de governo, a presidente Dilma Rousseff viu sete ministros caírem, seis deles por corrupção. Por ajustes, Dilma planeja fazer uma reforma mais enxuta da equipe, no início de 2012. Por enquanto, ela pretende mexer em apenas 9 dos 38 ministérios e promover um rodízio de partidos no comando de algumas pastas. Mas Dilma ainda quer consultar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes de bater o martelo.

 

 

Primeiro ministro de Dilma Rousseff a cair, Antonio Palocci deixou o cargo em 8 de junho, um dia após as acusações contra ele terem sido arquivadas pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. O ministro-chefe da Casa Civil, considerado o "primeiro-ministro" de Dilma, não resistiu à desintegração de seu capital político, por pressão de aliados. Sua substituta, a senadora Gleisi Hoffmann, assumiu prometendo "trabalho de gestão, de acompanhamento de projetos".  No mesmo mês, Dilma realizou mais uma mudança em sua equipe ministerial ao trocar os ministros das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, e da Pesca, Ideli Salvatti. A medida evitou a demissão de Luiz Sérgio, que vinha sendo muito criticado.

Um esquema de cobrança de propina no Ministério dos Transportes e em órgãos ligados à pasta, como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Valec Engenharia , estatal que administra as ferrovias derrubou o ministro dos Transportes Alfredo Nascimento. Inicialmente, ele recebeu o apoio de Dilma, mas não resistiu às denúncias e saiu da pasta.

Único ministro que não tinha envolvimento em denúncias de corrupção, Nelson Jobim foi o terceiro ministro a deixar o cargo e saiu depois de declarações polêmicas sobre colegas de ministério. Em agosto, chamou Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, de “fraquinha” e disse que nova a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, “sequer conhece Brasília”. Antes disso,  já havia declarado que votou em José Serra na eleição de 2010. Para o seu lugar, foi chamado Celso Amorim, que garantiu continuidade na linha de atuação.

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, foi a quarta baixa do governo de Dilma Rousseff. O pedido para sua saída foi potencializado depois que a imprensa veiculou denúncias de corrupção na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), órgão ligado à pasta, envolvendo contratos e favorecimento de fornecedores em troca de financiamento de campanha e tráfico de influência no ministério.

Depois de Rossi foi a vez de Pedro Novais, ministro do Turismo. Novais saiu da pasta após nove meses e uma série de escândalos. A maioria das denúncias diz respeito à nomeação de apadrinhados e uso de verba pública para fins pessoais. Seu substituto no ministério é outro peemedebista maranhense aliado de Sarney, o deputado Gastão Vieira.

Alvejado por acusações de desvio de dinheiro para abastecer o caixa do PC do B, o titular do Esporte, Orlando Silva, entregou o cargo um dia depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) anunciar a abertura de inquérito para investigar denúncias de seu envolvimento em crimes contra a administração e desvio de dinheiro público.Aldo Rebelo assumiu a pasta.

Embora tenha recebido apoio de Dilma, o sétimo ministro a cair foi Carlos Lupi (PDT). Lupi, que chefiava a pasta do Trabalho, chegou a ser um apaziguador da discussão sobre o salário mínimo no Congresso, quando seu partido resolveu abrir dissidência e votar contra o valor proposto pelo governo. No entanto, não resistiu às denúncias ao ter desmentidas suas justificativas para o crime de tráfico de influência na Pasta. Lupi então disse só sair da Esplanada “à bala”, o que contou contra o ministro. Depois de o Conselho de Ética da Presidência recomendar sua demissão, Lupi pediu demissão em um domingo, quando um importante jogo de futebol acontecia.

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