Retirada divide indigenistas

Advogada do ISA aplaude; Possuelo tem dúvidas

Moacir Assunção, O Estadao de S.Paulo

30 de abril de 2009 | 00h00

A retirada, prevista para hoje, dos arrozeiros da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, divide os indigenistas. A advogada do Instituto Sócio-Ambiental (ISA), Ana Paula Souto Maior, considera a data extremamente significativa para que as etnias que vivem no local - macuxis, uapixanas e ingaricós -, que terão condições de planejar o futuro, livres de ameaças e agressões por parte dos invasores."Este é um momento superimportante. Será a primeira vez em 30 anos que os índios poderão olhar o futuro com mais liberdade. Em todo este período, eles tiveram que enfrentar garimpeiros, invasores em geral e, por último, os arrozeiros", afirmou a advogada.Ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), o sertanista Sidney Possuelo vai na contramão da corrente de otimismo."Claro que poderia ser pior se o Supremo Tribunal Federal não considerasse constitucional a demarcação contínua das terras, mas foram colocadas tantas restrições à posse da reserva, um total de 19, pelos ministros que o governo ainda terá muitas dores de cabeça com esta decisão", previu.Entre os principais problemas, o indigenista citou a autorização expressa para que o Exército ou outros órgãos do governo entrem nas reservas sem precisar avisar aos índios.EXÉRCITO"Jamais houve impedimento à entrada do Exército, até porque as terras indígenas são propriedade da União, mas se fez um enorme carnaval com isso, como se os índios fossem contrários. Por que para entrar nas terras do fazendeiro precisa de mandado e na dos índios basta a vontade?", questionou Possuelo. Ana Paula tem opinião diferente da do indigenista. "Há muitos problemas a serem resolvidos, por exemplo relacionados à questão da saúde, mas sem os invasores os índios terão condições de planejar o que farão em suas terras", afirma.Até agora, destacou a advogada do ISA, que acompanha a luta pela reserva desde 1992, "todo o tempo e energia dos índios era gasto em lutar pela posse das áreas que ocupavam desde tempos imemoriais".

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