Resultado não terá reflexo na corrida presidencial, diz Lula

Ele destaca, ainda, que ajudou prefeitos de todos partidos, pois não perseguiu ninguém

João Domingos, O Estadao de S.Paulo

27 de outubro de 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recusou-se a fazer qualquer vínculo entre a eleição municipal, encerrada ontem e a sucessão presidencial, em 2010. Para Lula, uma não tem nada que ver com a outra, porque as situações são muito diferentes.Lula fez a afirmação logo depois de votar, no Colégio Estadual João Firmino de Araújo, em São Bernardo, na região do ABC. Ele foi questionado se o fato de o PT ter sofrido derrotas em São Paulo e Porto Alegre não atrapalha os seus planos de eleger o sucessor."É preciso que a gente separe cada eleição. Quando um cidadão vai votar para presidente da República, ele vai votar pra presidente; quando vai votar pra prefeito, está pensando no prefeito."Lula frisou que dizia isso não para defender o PT, mas porque ganhou experiência com as eleições que disputou, principalmente a segunda. "Eu vivi essa experiência em 2006, viajando pelo Brasil. O que era engraçado é que o prefeito eleito em 2004 era vaiado e quem era aplaudido era o cara que era oposição a ele. Então, para mim, essa coisa não tem muita incidência automática."Lula citou as campanhas feitas para a eleição que foi encerrada ontem como reforço de sua tese de que eleição municipal e presidencial são diferentes e não se vinculam. "Veja uma coisa, essa foi uma campanha atípica. É a primeira campanha na história do Brasil em que todos os candidatos a prefeito, do PT ou do DEM, trabalharam favoravelmente ao governo. Ninguém falou mal do governo federal. Ninguém falou mal do presidente Lula."Foi questionado a Lula se ele, então, ajudou a eleger prefeitos do DEM, como Gilberto Kassab, em São Paulo. O presidente respondeu que ajudou prefeitos de toda parte, de todos os partidos. "Estamos ajudando a eleger todos os prefeitos na medida em que não tivemos nenhuma atitude de perseguição a quem quer que seja nas verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). É importante lembrar quanto é que o governador Serra recebeu. É importante lembrar quanto o prefeito do Rio de Janeiro recebeu. É importante lembrar quanto foi dado para a Prefeitura de São Paulo. Ninguém ficava preocupado em saber se o prefeito era de tal ou qual partido. O que a gente procurava saber é se a cidade necessitava ou não daquele investimento", destacou."O candidato do PSDB, do DEM, de qualquer partido político, trabalhou com as obras que o governo federal está realizando", insistiu Lula.TRANSFERÊNCIAQuanto à eleição presidencial, nessa ele acha que um candidato pode transferir votos para outro. Lembrou-se de 1989, quando o então candidato Leonel Brizola (PDT) aliou-se a ele e lhe deu os votos que tinha recebido no primeiro turno. "Eu poderia pegar 1989, em que todos os votos do Brizola vieram para mim. Mas por que vieram? Porque era uma coisa trabalhada antes da campanha. Quando o Brizola decidiu me apoiar, 75% dos eleitores dele já tinham decidido me apoiar. Obviamente, é preciso saber qual o envolvimento das pessoas. Não é aparecendo uma vez na televisão ou fazendo um comício. Você precisa se engajar na campanha para fazer essa transferência. Por isso, a transferência é plenamente possível." Segundo Lula, quando o governo vai bem, consegue transferir votos. Se não está, não transfere, porque o eleitor resolve mudar. Lula se disse confiante na eleição dos candidatos do PT, embora não quisesse, em nenhum momento, arriscar um palpite nem para São Paulo. Tampouco quis falar sobre eventuais erros da campanha de Marta Suplicy. "Como vou avaliar a campanha, se ficaram trabalhando durante todo dia, toda semana? É importante saber o momento político em que as coisas aconteceram."

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