Resultado em BH define poder de fogo de Aécio contra Serra em 2010

Última pesquisa Ibope mostra empate técnico entre Lacerda (PSB), com 45% dos votos, e Quintão (PMDB), 42%

Eduardo Kattah, O Estadao de S.Paulo

26 de outubro de 2008 | 00h00

Marcada pelo forte acirramento no segundo turno, a disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte chega ao dia da eleição em situação de empate técnico. Márcio Lacerda (PSB) tem 45% das preferências, e Leonardo Quintão (PMDB), 42%, segundo pesquisa Ibope encomendada pelo Estado e pela TV Globo.O resultado a ser colhido hoje das urnas terá forte repercussão na definição do quadro político envolvendo a eleição para o governo do Estado e no projeto presidencial do governador Aécio Neves (PSDB).O governador e o prefeito Fernando Pimentel (PT) contam com a vitória de Lacerda para manter viva a tese da "convergência" entre petistas e tucanos. Aécio e Pimentel apostaram seu prestígio na polêmica aliança. A articulação, contudo, sofreu um revés com o adiamento da definição para o segundo turno e a surpreendente pontuação de Quintão, que atingiu 51% da preferência do eleitorado, contra 33% de Lacerda, na primeira pesquisa Ibope após o primeiro turno, no dia 14.Se para o governador o sucesso da aliança representa o fortalecimento na disputa que trava com o colega José Serra (SP) pela indicação do presidenciável tucano em 2010, para o prefeito ela significa a possibilidade de concorrer ao Palácio da Liberdade com o apoio do atual chefe do Executivo estadual.Um eventual triunfo de Quintão, porém, enfraquece o discurso de Aécio e o deixa em desvantagem em relação a Serra, que provavelmente sairá vitorioso em São Paulo, com a eleição de Gilberto Kassab (DEM).CACIQUESJá a vitória do peemedebista dará musculatura ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, que também pleiteia o governo do Estado e insistiu no discurso de que a cidade, no primeiro turno, deu o recado de que não aceita o "caciquismo". Também fortalecerá o petista Patrus Ananias - ministro do Desenvolvimento Social e ex-prefeito de Belo Horizonte-, outro pré-candidato à sucessão de Aécio, que se opôs radicalmente à aliança e ajudou a rachar o PT.Após o crescimento de Quintão, Aécio e Pimentel adotaram o discurso de que o projeto político costurado por eles não depende do resultado "efêmero" da eleição. "Independentemente do resultado das eleições, eu continuarei apostando na convergência, numa aglutinação de forças menos díspares entre si para construir um grande projeto de Brasil. Ou o que nós vamos viver é a reedição, a partir de 2010, do radicalismo de 1998, de 2002, de 2004 e de 2006", afirma o governador, observando que vê mais afinidades entre setores do PSDB e do PT do que entre os partidos que constituem a base de apoio ao governo Lula no Congresso.O Ibope ouviu 1.204 eleitores de Belo Horizonte nos dias 24 e 25. A margem de erro da pesquisa - registrada sob o número 80722/08 na 26ª Zona Eleitoral - é de três pontos porcentuais para mais ou para menos.

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