Resultado de ginástica passiva é quase nulo

A propaganda é sedutora: uma escultural Joana Prado de biquíni exibe um massageador elétrico e garante que, com pouco esforço, todos podem dizer adeus às gordurinhas localizadas. Ela não sabe, mas se usasse mesmo o aparelho durante um dia inteiro o máximo que conseguiria seria perder 30 quilocalorias. É menos do que meia maçã ou uma fatia de pão integral. Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostra que a ginástica passiva tem resultados bem mais modestos que os prometidos pelos canais de televenda. Mas o estudo indica que, ao menos, essas engenhocas não fazem mal à saúde. "Constatamos que 15 minutos de eletroestimulação equivalem a menos de 200 abdominais. E é desagradável ficar tomando choquinhos", afirma a pesquisadora Gerseli Angeli, do Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte, uma unidade da Unifesp. O estudo foi feito com dez homens e dez mulheres, entre 18 e 40 anos, que se submeteram a testes com os massageadores elétricos e depois participaram de sessões de abdominais. Como os massageadores dão pequenos choques, o máximo que conseguem fazer é estimular a musculatura. Se usados com persistência, de fato, tonificam os músculos. Mas longe de deixar as pessoas com corpo de Joana Prado. Eles também não têm o poder de eliminar a celulite. "Um gordinho vai ficar com os músculos tonificados, mas continuará gordinho", diz o coordenador do centro, Turíbio Leite de Barros Neto. Segundo ele, o estudo não condena o uso desses aparelhos. "Ele pode ser indicado para pessoas sedentárias, que nunca se exercitam, os preguiçosos. Serve como uma preparação da musculatura." Turíbio explica que é um erro achar que os massageadores farão a malhação sozinhos. "Não adianta só usar o aparelho. É preciso que as pessoas façam 30 minutos de atividade aeróbica diária como nadar, caminhar, pedalar e até dançar." E, diz o coordenador, depois de três meses, já é melhor procurar uma academia, se o interesse é ficar com o corpo "sarado". Em sessões de fisioterapia, aparelhos similares são usados com o objetivo de reeducar a contração voluntária dos músculos e começar a exercitá-los. São recomendados para pacientes de pós-operatório ou que ficam muito tempo na cama. O fabricante de dois aparelhos, o Elysée Belt e o AB Toner, Mário Kohn, reconhece que a propaganda da "feiticeira" Joana Prado está errada. Promete para o fim do mês uma nova propaganda em que não se inclua a eliminação de gordura. Segundo ele, o antigo produto, antes fabricado nos Estados Unidos, garantia esse resultado. "Mas a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não tinha base nem estudos para proibir a venda desses aparelhos." Desde setembro, Kohn tenta obter o registro para seus aparelhos e estima ter acumulado R$ 5 milhões em prejuízos. Quer agora, com o laudo da Unifesp, regularizar a situação. O novo estudo elimina a restrição, baseada na suspeita de fazer mal à saúde, para a venda desses massageadores, que custam mais de R$ 200. "Eles não alteram a freqüência nem o ritmo cardíaco. Só é preciso tomar cuidado com a procedência deles", diz a pesquisadora Gerseli.

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