Resultado da perícia pode complicar ainda mais Renan

Investigação da PF constatou que documentos de algumas empresas são ´frios´

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 12h52

Uma equipe de seis peritos do Instituto Nacional de Criminalística (INC) foi escalada pela Polícia Federal para virar a noite trabalhando na análise de todos os documentos relacionados à defesa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no processo que ele responde no Conselho de Ética sob a acusação de quebra de decoro. O laudo será entregue às 11 horas deste terça-feira, 19, ao presidente do Conselho, senador Sibá Machado (PT-AC) e pode complicar ainda mais a vida de Renan. Isso porque novos documentos obtidos em diligência da PF nesta segunda-feira, 18, nas Secretarias da Fazenda e da Agricultura de Alagoas, levantam dúvidas quanto à idoneidade das empresas que forneceram recibos, notas e outros documentos apresentados pelo senador para provar a origem dos recursos com que pagava pensão à jornalista Mônica Veloso, com a qual teve uma filha fora do casamento. Os peritos estão desde o fim de semana analisando a autenticidade das notas fiscais, recibos, recibos, guias de depósitos, cheques e guias de trânsito de animais (GTA) relacionados as atividades agropecuárias do senador. Ele alega ter faturado R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos com a venda de gado. Autorizada pelo Senado, a PF estendeu a investigação para a idoneidade das empresas que forneceram os documentos e constatou que alguns deles são frios. Constatou também que algumas empresas são inidôneas. Todo o material recolhido na diligência em Alagoas foi enviada ao INC por fax e e-mail. A PF ressalvou que não se trata de uma investigação policial, mas apenas técnica e formal sobre a autenticidade dos documentos e a idoneidade das empresas que os emitiram, como quer o senado. Observou ainda que Renan não é alvo de investigação ou devassa fiscal, o que dependeria de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que ele tem direito a foro especial. Normalmente, segundo a PF, a perícia de documentos demora uma semana, no mínimo. Como se trata de laudo parcial, para atender a uma demanda específica, ele pode ser feito em menos tempo, mas pode ocorrer atraso porque o trabalho foi prejudicado pelo fato de ter sido realizado no final de semana. Com o laudo em mãos, a votação do parecer do relator deve acontecer esta quarta-feira. Para o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Geraldo Lyrio, o princípio legal da presunção de inocência deve ser aplicado a Renan, mas as denúncias devem ser apuradas. "Todas acusações precisam ser investigadas a fundo, mas não podemos fazer prejulgamentos. Todo cidadão é considerado inocente enquanto não for provado que é culpado. Não podemos resvalar por aquela postura, característica de regimes autoritários, onde parte-se do princípio de que um acusado é culpado enquanto não provar a inocência", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.