Resultado acirra disputas na sigla por suspeitas de fraudes

Membros de correntes do partido trocam acusações enquanto Lula questiona lisura de processo interno eleitoral

Ricardo Galhiardo, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2017 | 05h01

As suspeitas de fraudes em diversas cidades durante o Processo de Eleições Diretas (PED) do PT incomodou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Diante de seguidas denúncias feitas por correligionários, ele questionou a cúpula do partido sobre a lisura do processo.

Antes mesmo do questionamento, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, determinou que as listas de votação de todas as cidades onde existem suspeitas fossem colocadas à disposição de todas as correntes.

Integrantes de grupos minoritários reclamam de falta de acesso a essas atas e apontam a possibilidade de graves fraudes.

Em ao menos duas cidades foram identificados mortos entre os votantes. Em Brasília de Minas (MG), absolutamente todos os 569 votos foram para a chapa Frente Petista Contra o Golpe, montada em torno do governador Fernando Pimentel, e que inclui quase todas as principais correntes estaduais.

O PED, como é de costume, desencadeou uma batalha verbal entre adversários internos. Valter Pomar, da corrente Articulação de Esquerda, publicou texto sobre “fraude sistêmica, generalizada e em escala industrial”. “O Valter Pomar não sabe nem onde fica Minas Gerais no mapa”, rebateu Gleide Andrade, da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB).

Em artigo publicado no site do PT, o presidente do diretório estadual de São Paulo, Emidio de Souza, também da CNB, acusou Carlos Árabe, secretário nacional de Formação do PT, de emprestar “sua voz de dirigente nacional para dar legitimidade às análises parciais e antipetistas da grande mídia”.

Árabe, também em artigo, rebateu dizendo que Emídio representa uma burocracia “conservadora, pois para ela, o objetivo é conservar-se no poder”.

Ele, no entanto, foi mais comedido do que Pomar ao comentar as suspeitas. “Tem recursos (contra supostas irregularidades), mas o processo é muito mais amplo”, disse o secretário nacional. 

“Tem recursos (contra supostas irregularidades), mas o processo (de Eleições Diretas do PT) é muito

mais amplo.” Carlos Árabe / SECRETÁRIO NACIONAL DE FORMAÇÃO DO PT

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