Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Restrições ao trabalho da imprensa irritam correspondentes estrangeiros

Jornalistas foram impedidos de circular pelos ministérios e confinados a uma sala sem janelas

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2019 | 15h32
Atualizado 02 de janeiro de 2019 | 15h24

As restrições impostas pelo Itamaraty ao trabalho da imprensa na cobertura da posse do presidente Jair Bolsonaro levaram quatro jornalistas estrangeiros a deixar o Ministério das Relações Exteriores como forma de protesto. 

Ao contrário do que houve em posses anteriores, quando a imprensa tinha liberdade para circular pelo ministério e entre os poderes, desta vez os profissionais de imprensa foram confinados em uma sala de imprensa sem janelas instalada na sala San Tiago Dantas. 

A decisão causou protestos dos repórteres. Alguns falaram em "cárcere privado" quando a imprensa chegou ao local e foi informada pela secretária de imprensa do Itamaraty, Ana Paula Kobe, de que ninguém poderia deixar o local até 17h30, quando ocorrerá um coquetel para as autoridades. No evento, os jornalistas novamente ficariam em um espaço sem acesso aos convidados. 

A jornalista Fanny Marie Lotaire, da rede France 24, foi a primeira a pedir para sair junto com sua equipe. Em seguida o jornalista argentino Ricardo Longuércio, da agência chinesa de notícias Xinguan, reforçou o pedido, o que levou o ministério  a providenciar um ônibus para retirar os insatisfeitos e levá-los de volta ao Centro Cultural Banco do Brasil.

O Itamaraty afirmou que "a entrada e a saída de todos os jornalistas credenciados para estavam previstas conforme determinação do Palácio do Planalto, tendo em conta limitações de tráfego no perímetro de segurança da Esplanada".

Abaixo a íntegra da nota do Itamaraty:

“Por determinação do Palácio do Planalto, em coordenação com o governo eleito, os jornalistas credenciados para a cobertura da posse presidencial 2019 foram distribuídos entre os locais onde foi realizada programação relativa à posse presidencial (Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Palácio Itamaraty).

Ao grupo credenciado para cobrir o Ministério das Relações Exteriores foi disponibilizado um centro de imprensa, aberto das 10h às 21h de 1° de janeiro, que contou com estações de trabalho, 4 telões para transmissão das cerimônias de posse no Congresso, no Palácio do Planalto e no próprio Palácio Itamaraty, serviço de tradução dos discursos do presidente para as línguas inglesa e espanhola, e serviço de bufê. A sala utilizada como centro de imprensa é um dos principais recintos para reuniões do Palácio e ali já se se reuniram presidentes, ministros e chanceleres. Em posses presidenciais anteriores, foi igualmente disponibilizada como centro de imprensa.  

A entrada e a saída de todos os jornalistas credenciados para o Itamaraty estavam previstas conforme determinação do Palácio do Planalto, tendo em conta limitações de tráfego no perímetro de segurança da Esplanada. Todos aqueles que desejaram se ausentar do centro de imprensa do Ministério das Relações ao longo do dia foram prontamente atendidos.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.