Restrição a documentos de Duda desagrada integrantes de CPI

A CPI dos Correios tenta votar, quinta-feira, um acordo de procedimentos que limita ao presidente da comissão, senador Delcídio Amaral (PT-MS), e ao relator, Osmar Serraglio (PMDB-PR), o acesso aos documentos com a quebra do sigilo bancário do publicitário Duda Mendonça no exterior. A restrição à papelada com os dados do marqueteiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é uma exigência das autoridades americanas e desagradou integrantes da CPI dos Correios, que ameaçam votar contra o acordo.Além do acordo, a CPI pretende votar, na mesma reunião administrativa, requerimento com as convocações do marqueteiro Duda Mendonça e de Dimas Toledo, ex-diretor de Furnas apontado como um dos cabeças de um suposto esquema de arrecadação de recursos de campanha em favor de candidatos do PSDB e do PFL, nas eleições de 2002. Os dois partidos de oposição negaram hoje acordo com o governo para poupar Duda de um novo depoimento na CPI e evitar a convocação de Dimas."Estamos nas conclusões finais da CPI. Como vou começar uma investigação nova? Quisera que não estivéssemos em um ano eleitoral, e aí a CPI ia às últimas conseqüências", afirmou Serraglio. Ele defendeu a tese de que Duda Mendonça só deve ser chamado novamente para depor, caso os documentos com a quebra do sigilo do publicitário tragam dados novos. "Ninguém vai preservar ninguém. Mas se ele (Duda) vier apenas para repetir o que disse na semana passada para a Polícia Federal, não é necessário que ele venha", argumentou o relator.Pelo acordo de procedimentos que deverá ser votado quinta-feira na sessão administrativa da CPI dos Correios, Delcídio Amaral e Serraglio terão acesso físico aos documentos no Ministério Público ou no Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça. A fim de evitar vazamentos, a Comissão não receberá cópias da papelada. O acordo de procedimentos com as autoridades americanas prevê ainda que, no relatório final da CPI dos Correios, só haverá referência aos documentos nos itens essenciais à investigação.O relator-adjunto da CPI, deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), espera que a comissão tenha acesso na próxima semana aos dados das contas de Duda Mendonça. "Acho que a CPI não deveria se submeter a esse tipo de exigência. É um desrespeito à instituição. Voto contra esse acordo", afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), um dos integrantes da comissão. "Tenho absoluta convicção de que o acesso restrito é anti-regimental. Todos os documentos têm de ser compartilhados com todos os membros da CPI", disse o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), sub-relator de fundos de pensão da CPI.Os petistas defenderam a ampliação do número de pessoas com acesso aos documentos de Duda Mendonça. "Vou sugerir que seja um grupo um pouco mais amplo com acesso à papelada", disse o relator-adjunto da CPI, deputado Maurício Rands (PT-PE), um dos parlamentares que estiveram nos Estados Unidos na semana passada para reivindicar o acesso aos documentos pela Comissão. Rands propôs que ele e o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) sejam incorporados ao grupo com acesso à quebra de sigilo das contas de Duda Mendonça.

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