Restos mortais de Goulart voltarão ao RS após análise

Representantes da Comissão Nacional da Verdade e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República garantiram ao prefeito de São Borja, Farelo Almeida (PDT), que os restos mortais do ex-presidente João Goulart voltarão ao jazigo da família depois da análise que poderá esclarecer a causa do óbito, a ser feita em Brasília, em data ainda não marcada. Além disso, asseguraram que o compromisso da devolução será formalizado em audiência pública, a ser agendada. A promessa, feita nesta quarta-feira, 21, na cidade gaúcha, tranquiliza a comunidade local, que temia a transferência para um memorial na capital federal e começava a se mobilizar para pedir que a análise fosse feita no Rio Grande do Sul.

ELDER OGLIARI, Agência Estado

21 de agosto de 2013 | 18h50

"Os técnicos informaram que é impossível fazer o trabalho fora de Brasília", relatou o prefeito, depois de receber os participantes da missão preparatória para a exumação em seu gabinete e informar a eles que tanto o PDT local quanto os vereadores, em ofícios, queriam garantias de que os restos mortais ficarão em São Borja. "Na audiência pública será assinado um documento, com prazo para o retorno", adiantou.

A audiência pública, em São Borja, será mais uma etapa do processo que levará à exumação. Os técnicos que foram à cidade gaúcha nesta quarta-feira visitaram o Cemitério Jardim da Paz, coletaram informações como tamanho, material e posição do jazigo da família Goulart e da gaveta onde estão os restos mortais do ex-presidente para preparar a operação. Também constataram que o local não foi violado desde o sepultamento, em dezembro de 1976. Uma reunião em Brasília, no dia 17 de setembro, pode definir a data em que o túmulo será aberto.

A decisão de exumar os restos mortais de João Goulart foi tomada neste ano pela Comissão Nacional da Verdade. O objetivo é esclarecer se o ex-presidente, afastado pelo golpe de 1964, foi assassinado. A versão oficial é de que ele sofreu um enfarte em Mercedes, na Argentina, em 6 de dezembro de 1976. Mas alguns indícios surgidos posteriormente colocaram dúvidas sobre o episódio. Um deles é que Goulart era vigiado pelos serviços secretos dos governos militares do Cone Sul. Em 2002, o ex-agente da repressão uruguaia Mario Barreiro Neira disse ao jornal La Republica que o ex-presidente brasileiro teria sido envenenado por um composto misturado aos seus medicamentos.

O município de São Borja guarda a memória dos maiores líderes do trabalhismo brasileiro. Além de João Goulart, estão enterrados no mesmo jazigo familiar os restos mortais do ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro Leonel Brizola. E em um monumento da Praça 15 de Novembro, no centro da cidade, os do ex-presidente Getúlio Vargas. Goulart e Vargas nasceram em São Borja e Brizola em Carazinho.

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