Tiago Queiroz/ Estadão; Dida Sampaio/ Estadão
Tiago Queiroz/ Estadão; Dida Sampaio/ Estadão

Resta saber que caminhos vão trilhar PSDB e DEM; leia análise

Ao que tudo indica, o chamado centro está longe de construir uma única candidatura que consiga se situar entre Lula e Bolsonaro

Marco Antônio Carvalho Teixeira*, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2021 | 05h00

A súbita anulação de condenações do ex-presidente Lula pelo STF, com a consequente recuperação de seus direitos políticos, reconfigurou a disputa eleitoral de 2022. Colocou o PT novamente como ator eleitoral relevante após o fiasco do partido nas duas últimas eleições, reposicionou o discurso bolsonarista para o campo mais radical e mudou completamente a rota de candidaturas que se construíam como alternativas ao bolsonarismo e ao petismo. 

A entrada de Lula mudou o ambiente de isolamento que caracterizou o PT nas duas ultimas eleições e vem atraindo velhos aliados à esquerda como o PSB, antes dado como integrante do projeto de Ciro Gomes, e ainda vem recebendo sinalizações do centro e de legendas mais à direita como as vindas de lideranças que recentemente ingressaram no eclético PSD. 

A reação do bolsonarismo foi rápida e logo tratou de restaurar o discurso messiânico de 2018 tratando novamente o petismo como a tradução da corrupção e buscando consolidar suas relações com atores políticos mais conservadores, sobretudo ligados a igrejas evangélicas, com a promessa de pautas ligadas a valores morais. Entretanto, cabe lembrar que o principal grupo político aliado do bolsonarismo, o Centrão, move-se pelo cálculo eleitoral. Se a popularidade do governo permanecer como está ou se deteriorar a ponto de ameaçar a reeleição, parcela do centrão pode apoiar Lula ou qualquer outro candidato viável sem o menor constrangimento. 

Frente a isso, candidaturas que se colocaram como alternativas ao petismo e ao Bolsonarismo, até o momento, naufragaram. Luciano Huck, um eterno outsider da política, apesar de aparecer em boa posição nas pesquisas, anunciou outros planos para 2022 como apresentar de TV. Sérgio Moro foi alvejado não apenas pela decisão do STF que beneficiou Lula, mas também pelo próprio bolsonarismo que até a pouco tempo ele servia como membro do governo. 

Resta saber que caminhos vão trilhar os já divididos PSDB (entre Doria, Tasso e Eduardo Leite) e também o DEM, agora sem Rodrigo Maia e que sofre uma crise de identidade por orbitar entre o bolsonarismo: há quadros importantes servindo ao governo, a candidatura própria liderada por Mandetta, e mesmo a opção do apoio a Ciro Gomes. O PDT já governa com o DEM a cidade de Salvador. Ao que tudo indica, o chamado centro, quando olhado por seus grandes partidos (PSDB, MDB e DEM) está longe de construir uma única candidatura que consiga se situar entre Lula e Bolsonaro, em que pese haver espaço para isso. 

2022 ao mesmo tempo que apresenta como tão perto na disputa presidencial, para alguns grandes partidos ainda está muito longe de se definir.

*CIENTISTA POLÍTICO, DOUTOR EM CIÊNCIAS SOCIAIS (PUC-SP) E PROFESSOR DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DA FGV-SP

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