Respostas vagas para questões da vida real

Análise do jornalista Marcelo de Moraes

O Estado S.Paulo

30 de outubro de 2010 | 15h47

Uma eleitora foi assaltada com arma na cabeça e cobrou medidas de segurança. Outra reclamou do valão na sua rua. Um terceiro informou que teve que largar o trabalho de agricultor porque não conseguia mais sobreviver disso.

 

Os indecisos escolhidos pela TV Globo para fazerem perguntas aos candidatos à Presidência no último debate da campanha foram precisos nas suas inquietações diante de Dilma Rousseff e José Serra. Sem os rodeios que caracterizaram os debates dessa eleição, trataram sem intermediários do que lhes interessava: a vida real.

 

O problema é que do outro lado os candidatos preferiram não correr riscos às vésperas da eleição e jogaram pelo empate. Elogiando mecanicamente as perguntas, cumpriram o roteiro de costume: respostas vagas, promessas compreensíveis apenas para iniciados e perigo zero de cometerem um deslize que atrapalhe suas campanhas.

 

Numa disputa em que programas de governo mal foram divulgados, os debates não conseguiram revelar aos eleitores o que podem esperar do próximo presidente do País.

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