Responsáveis por ?tragédia da hemodiálise? são absolvidos

As cinco pessoas apontadas como responsáveis pelo episódio que ficou nacionalmente conhecido como "a tragédia da hemodiálise" foram absolvidas hoje por sentença do juiz da 4.ª Vara Cível de Caruaru, no agreste, Sérgio Paulo Ribeiro da Silva. Ele argumentou falta de provas. Disse que alguns processos não tinham laudos periciais e que em outros a causa da morte foi dada como indeterminada.Pelo menos 44 pacientes do Instituto de Doenças Renais de Caruaru (IDR) morreram por contaminação da bactéria Microcistina LR, presente na água utilizada na hemodiálise em fevereiro de 1996. O promotor da 1. Vara Criminal da cidade, Zadir Barbosa de Oliveira, disse que vai entrar com recurso no Tribunal de Justiça do Estado na próxima semana. "O processo tem tudo que é necessário para uma condenação", assegurou ele. "A despeito do que alega o juiz, não faltam provas e existem 12 laudos periciais". Para o promotor, o juiz Sérgio Paulo julgou o processo num período aproximado de um mês, tempo insuficiente - ao seu ver - para uma análise mais profunda de 25 volumes e mais de 5 mil folhas.Segundo Zadir Oliveira, o processo está pronto para julgamento desde dezembro de 1999, mas nenhum dos três juízes criminais da comarca aceitaram o caso. Eles alegaram questão de foro íntimo. O julgamento coube então ao juiz Sérgio Paulo, que é diretor do Fórum de Caruaru. O promotor lembrou que além dos 44 mortos que constam do processo, outros 62 pacientes morreram depois, não se podendo afirmar quantos deles foram a óbito pela contaminação.Foram absolvidos os donos do IDR, Braúlio Francisco Coelho Neto e Antonio Bezerra Filho, o diretor do Instituto de Nefrologia e Urologia de Caruaru, Ildefonso Rodrigues dos Santos, o ex-diretor da companhia estadual de abastecimento (Compesa), Judas Tadeu Alves de Souza, e a diretoria da 4. Diretoria Regional de Saúde, Flora Raquel de Freitas Araújo. A advogada de 28 famílias de vítimas e sobreviventes da tragédia da hemodiálise em uma ação indenizatória, Lucimary Elisabete dos Passos, disse que a sentença a frustrou como cidadã e como envolvida no caso. O pai dela, José Francelino dos Passos, foi um dos sobreviventes e, na época, passou 45 dias em um hospital do Recife. Ele se recuperou mas a contaminação o deixou com problemas hepáticos que Lucimary garante terem provocado outras complicações que o levaram à morte no ano passado. "Por um lado agradeço a Deus meu pai não estar vivo porque uma notícia dessas o deixaria arrasado". Ela aguarda o resultado do recurso judicial. "Só seremos vencedores na ação indenizatória se os médicos forem considerados culpados". O Ministério Público estipulou a indenização em 90 salários mínimos para pacientes sobreviventes e 100 salários mínimos para os familiares dos que morreram. O IDR foi interditado assim que foi detectado o problema na clínica e seus pacientes foram transferidos para hospitais do Recife. A clínica nunca foi reaberta mas os seus donos foram inocentados pelo Conselho Regional de Medicina (Cremepe) e mantiveram o direito de exercer a profissão. Os pacientes contaminados apresentavam diarréia e vômito. O fígado era o órgão mais afetado.

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