Resistência à Copa é eleitoral, diz Dilma

Presidente afirma que nem na ditadura,quando estava presa, torceu contra o Brasil

PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2014 | 02h02

A presidente Dilma Rousseff disse ontem que há uma "campanha sistemática" contra a realização da Copa do Mundo no Brasil e a resistência ao Mundial tem conotação política. "Ela, de fato, não é contra a Copa, é muito mais uma campanha contra nós", afirmou a presidente ao discursar durante Encontro Estadual do PT do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.

Dilma voltou a lembrar que não torceu contra a seleção brasileira quando era uma presa política em 1970, durante o regime militar. Nessa época, Dilma estava encarcerada no presídio Tiradentes, em São Paulo.

"Há hoje uma campanha sistemática contra a Copa. Ela, de fato, não é contra a Copa, é muito mais uma campanha contra nós. Nem na ditadura nós confundimos Copa com política. Estava eu lá presa no (presídio) Tiradentes e começou a Copa (do México). Ninguém torceu contra o Brasil."

Segundo a petista, o governo fez um levantamento e descobriu que há "várias linhas de intervenção anti-Copa". Ela destacou antigas reportagens que afirmavam que o Brasil não conseguiria deixar os estádios prontos a tempo e disse que é preciso informar melhor a população. De acordo com a presidente, além do pessimismo em torno das construções dos estádios, foram difundidas informações equivocadas - como, por exemplo, que o governo teria tirado dinheiro da educação e da saúde para a construção das arenas. "É uma desinformação."

Segundo a presidente, o total destinado aos estádios, por meio de financiamento federal, foi de R$ 8 bilhões. "Em 2014, o gasto em educação é de R$ 280 bilhões. Dez dias de um mês equivalem aos 12 estádios", comparou. "Foi dito que se corria o risco da dengue, mas não há caso de dengue nessa época do ano", afirmou.

Racionamento. Dilma voltou a garantir que não haverá racionamento de energia durante a Copa nem em 2014. "Não há a menor possibilidade de haver racionamento de energia agora", disse. "É interessante notar que onde está tendo racionamento de água ninguém fala", afirmou em uma referência ao Estado de São Paulo, que atravessa uma crise hídrica e é governado há 20 anos pelo PSDB.

Dilma também falou da expansão dos aeroportos e voltou a repetir que as grandes obras de infraestrutura não foram feitas para a Copa e serão um grande legado ao País. "Os aeroportos duplicaram a capacidade de embarque e desembarque em três anos e meio", destacou.

No evento petista - que contou com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - foi lançada a pré-candidatura do governador Tarso Genro (PT), que vai disputar a reeleição, e do ex-governador Olívio Dutra (PT) ao Senado.

'Levantar a cabeça'. No mesmo dia em que uma pesquisa do instituto Datafolha mostrou pessimismo dos brasileiros com a economia (mais informações nesta página), o ex-presidente Lula tratou de tentar animar os 300 delegados e convidados que participaram do encontro partidário.

"Temos que levantar a cabeça", disse. "Tem muita gente nossa de cabeça baixa."

O ex-presidente e Dilma afirmaram que existe uma campanha premeditada de desinformação no Brasil com o objetivo de tirar o PT do governo. Segundo a presidente, se em 2002, quando Lula foi eleito pela primeira vez, a disputa era entre esperança e mentira, em 2014 será entre verdade e mentira.

"Se na eleição do presidente Lula a esperança venceu o medo, é a verdade que vai vencer toda quantidade de mentira e desinformação semeada pelo País. É importante que a verdade vença essa quantidade de mentiras para que o futuro possa vencer os que querem voltar ao passado", afirmou a presidente. / RICARDO GALHARDO, ELDER OGLIARI, GABRIELA LARA e CARLA ARAÚJO

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