Marcelo Camargo/Agência Brasil
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‘Resenha com Rodrigo’, podcast de Maia, vai de Previdência a sugestões de leitura

Em transmissão semanal, presidente da Câmara trata dos temas do Congresso e dá suas impressões pessoais a temas nacionais; para analista, ao lançar programa nas redes, deputado busca pautar opinião pública

Vinícius Passarelli, especial para O Estado

02 de julho de 2019 | 14h19

Em meio à relação conturbada entre o governo do presidente Jair Bolsonaro e o Congresso Nacional e aos ataques contra o Poder Legislativo nas últimas manifestações a favor do governo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), estreou na semana passada um podcast semanal para tratar dos assuntos em voga nas votações da Câmara. O programa trata também da agenda do Congresso para promover o crescimento econômico e a geração de empregos, além de impressões pessoais de Maia a respeito de assuntos do noticiário político e dos livros que está lendo no momento.

A exemplo das lives semanais feita pelo presidente Jair Bolsonaro em sua página do Facebook, o podcast tem o objetivo de aproximar Rodrigo Maia e a Câmara dos Deputados, de uma forma geral, ao público, através de um canal direto de comunicação por meio digital. Essa maneira de dialogar com o eleitorado tem se tornado prática comum entre políticos, que cada vez mais se utilizam das redes sociais para comunicar o público sobre projetos que estão sendo votados e até mesmo transmitir ao vivo as votações de plenário. O fenômeno já até gerou um apelido por parte de parlamentares com mais tempo de casa para os novatos eleitos na esteira de sua popularidade nas redes: “bancada da selfie”.

O podcast de Rodrigo Maia, intitulado “Resenha com Rodrigo”, será publicado toda segunda-feira nas páginas do deputado nas redes sociais e tem duração de dez a quinze minutos. Nos dois primeiros episódios, publicados na semana passada e nesta segunda-feira, 1, foram abordadas a agenda da Câmara para a semana que se inicia e assuntos que permeiam o noticiário. O episódio piloto trazia um terceiro bloco no qual Maia falava de suas leituras do momento, como o livro “A Interpretação da Realidade Brasileira”, do historiador João Camilo, que trata das instituições e da democracia no Brasil. O segundo episódio não apresenta esse bloco e foca nas reuniões que Maia terá com governadores para tentar obter seu apoio e incluir Estados e municípios no relatório que tem a previsão de ser votado nesta semana na Comissão Especial da Reforma da Previdência.

No episódio publicado nesta segunda-feira, 1, com o gancho dos 25 anos do Plano Real - iniciado em 1994 no governo de Itamar Franco – Maia afirmou que se naquela época o “dragão a ser domado” na economia brasileira era a inflação e a corrosão dos salários, hoje o crescimento constante das despesas públicas é o que trava o desenvolvimento econômico do País. Segundo ele, a Reforma da Previdência é condição fundamental para que outras reformas, como a tributária, sejam feitas e para que os investimentos voltem a crescer, gerando emprego e renda no Brasil.

Agenda própria do Congresso

No primeiro episódio do podcast, que obteve quase 10 mil visualizações no YouTube, o presidente da Câmara enfatizou os esforços do Congresso Nacional em colocar em prática uma agenda para retomar o crescimento econômico, além de promover uma modernização nas regulações para o setor privado atuar nas áreas da saúde e da educação. Para Maia, a presença maior de empresas privadas nesses setores diminui a demanda que recai no setor público, dependente da saúde financeira de Estados e municípios, “muito improvável de ser solucionada a curto prazo”, afirmou Maia. Ele ressaltou que essa agenda própria do Legislativo não atropela as prerrogativas do Executivo e que muitas ações podem partir dos parlamentares.

“Maia é um jogador tradicional, é um ponta direita”

Segundo o professor do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Prática de Consumo da ESPM, Luiz Peres Neto, o Brasil ainda tem uma “brecha digital enorme” e há espaços vazios para a entrada de meios de comunicação digital, inclusive no campo político. “Por isso que podcasts e lives são formatos de comunicação que conseguem chegar no público, porque isso depois é fatiado, editado, e consegue chegar via WhatsApp e outros canais para uma massa enorme de pessoas que organicamente vai replicando esse conteúdo”, afirma.

Para Peres, Rodrigo Maia percebeu que precisa se juntar a essa tendência para não perder o “controle da agenda”. “O que ele está querendo fazer com o podcast é agendar temas, para a opinião pública e para os próprios meios de comunicação”, explica. Ao comparar esse movimento de Maia com as lives de Bolsonaro e as formas do presidente se comunicar com o público, o professor recorre a uma metáfora futebolística para mostrar as diferenças entre os dois. “Em um jogo de futebol, o Maia é um cara que joga na ponta direita, ele é um jogador clássico que cumpre função. Já o Bolsonaro joga um jogo diferente, ele entra um campo para ver onde tem um espaço, não importa se ele é volante, se tem um espaço para ele jogar de lateral, ele ocupa esse espaço. Como político tradicional, o presidente da Câmara enfrenta um novo cenário em que novas lideranças passaram a utilizar essas estratégias comunicacionais mais diretas e precisa de adequar”.

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