Requião se diz alvo de chantagem da Justiça

Em entrevista ao 'Estado', governador do PR diz que 'combate aos corruptos' é causa de censura da qual é vítima

Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo,

23 de janeiro de 2008 | 18h24

O governador do Paraná, Roberto Requião, disse nesta quarta-feira, 23, que é alvo de pressões e chantagens de instituições poderosas. Em entrevista ao Estado, apontou inúmeras vezes o Ministério Público, a magistratura e a imprensa como desafetos. Afirmou que sua "independência e firme disposição de combate aos corruptos" são a causa da censura de que se diz vítima. Leia a íntegra da reportagem na edição desta quinta-feira de O Estado de S. Paulo Requião está proibido por ordem judicial de fazer críticas pela Rádio e Televisão Educativa do Paraná (RTVE) a rivais políticos e aos outros poderes públicos que, segundo sua avaliação, o recriminam. A sentença, que Requião classifica de "golpe absoluto ao princípio constitucional da liberdade de expressão", foi aplicada pelo desembargador federal Edgar Lippmann Jr., do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4º Região, que acolheu recurso da Procuradoria da República. Em represália, Requião tirou do ar a emissora na terça-feira e entrou em choque com a procuradora-geral do Estado, Jozélia Nogueira Broliani, que pediu demissão, alegando ter sido destratada em público. Nesta quarta, assumiu o lugar de Jozélia o procurador Carlos Frederico Marés de Souza Filho, diretor do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e amigo de longa data de Requião. A Educativa voltou à sua programação normal, mas sem manifestações do chefe do Executivo. "Sou um governador amordaçado", disse ele, às 12h45, pouco depois de cavalgar 18 quilômetros pelo bosque da residência oficial, em Pinhais, nos arredores de Curitiba. Antes de receber uma delegação de 40 autoridades chilenas, Requião falou da polêmica. Anunciou que vai a organismos internacionais. "É preciso que a sociedade tome conhecimento que o governador do Paraná está forçado a ficar calado. É um recado que dou para o Estadão também. Hoje sou eu, amanhã pode ser o Estadão."

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