Requião reafirma que fará governo de esquerda

O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), repetiu na quinta-feira, 15, em sua mensagem na abertura dos trabalhos na Assembléia Legislativa, que fará um "governo de esquerda". "Sem medo das posições que assume, radicalizado na opção feita e confiante nas mudanças que pode estimular e realizar", acentuou. Dos 54 deputados, 34 foram reeleitos. O PMDB é o partido majoritário, com 17 parlamentares. A Assembléia será presidida pelo deputado Nelson Justus (PFL). Apesar de seu partido, que tem seis representantes, fazer oposição ao governador, ele é amigo pessoal de Requião e lhe dá apoio político. Requião não apresentou nenhum projeto particular aos deputados, ressaltando apenas que o planejamento "tem como princípio, meio e fim os interesses do nosso povo, dos trabalhadores, da nossa gente mais humilde". Repetindo os discursos que fez ao longo do primeiro mandato, ele atacou o "mercado", dizendo não ter compromisso com balanço das corporações ou com as cotações das Bolsas. "Assim, talvez alguns vejam mais razão para que o mercado fique nervoso, inquieto, impaciente com o Governo do Paraná, com as opções feitas pelo Governo do Paraná. Que se agitem, que se irritem, que se abespinhem. Pouco se me dá", afirmou. Segundo ele, o governo de esquerda que pretende fazer segue a tradição humanista. "Recolhendo do iluminismo, dos enciclopedistas, dos utópicos, dos primeiros socialistas, dos marxistas, das encíclicas papais e dos ensinamentos evangélicos as lições da solidariedade, do amor ao próximo, da fraternidade, da construção de um mundo sem explorados e sem exploradores", disse. Requião propôs a resistência ao processo de globalização, pois, "existe uma relação direta entre o avanço da globalização e o avanço da pobreza". "Aqui no Paraná, na medida das possibilidades, sob as limitações que se nos impõem, resistiremos", garantiu. Brigas O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), esteve presente à sessão da Assembléia Legislativa, sentando-se a duas cadeiras do governador. Na terça-feira, Requião havia denunciado um possível desvio de recursos do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER), em 2002, quando o irmão do prefeito, José Richa Filho, era diretor do órgão, em benefício da campanha de Beto ao governo do Estado. O prefeito respondeu com uma nota em que negava qualquer irregularidade e chamou o governador de "covarde". Na quinta, eles não trocaram nenhuma palavra. Ao lado do vice-governador Orlando Pessuti (PMDB), o prefeito sentiu-se à vontade e conversou várias vezes com ele, inclusive durante o discurso de Requião.

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