Requião quer tradução em propagandas

Objetivo, diz governador, é valorizar a língua pátria; para presidente de sindicato, medida é absurda

Evandro Fadel, O Estadao de S.Paulo

14 de julho de 2009 | 00h00

Os deputados estaduais do Paraná aprovaram ontem à tarde, em primeira discussão, projeto de lei do governador Roberto Requião (PMDB) que torna obrigatória a tradução para o português de palavras de outros idiomas que forem colocadas em qualquer propaganda exposta no Estado. "O governo do Paraná apresenta a medida tendo por objetivo maior o reconhecimento e a valorização da língua pátria", justificou Requião.Segundo ele, o projeto tem como base o inciso I do artigo 1º da Constituição Federal, que apresenta a soberania como um dos fundamentos da República Federativa do Brasil, além do artigo 13 que estabelece o português como língua oficial.Pelo projeto, as traduções devem ter o mesmo tamanho que as palavras expostas em outro idioma na propaganda. O descumprimento implicará multa de R$ 5 mil, que pode ser dobrada em caso de reincidência.O presidente do Sindicato das Agências de Propaganda do Estado do Paraná (Sinapro-PR), Cal Gelbecke, disse que um projeto como esse não mereceria nem comentários. "É um absurdo em pleno século 21, quando há um processo de globalização", considerou. Na opinião dele, muitas palavras já são de domínio público. Além disso, acrescenta, já se tornou quase uma regra o pedido para que crianças e adultos aprendam uma nova língua.Ele acredita que, caso seja aprovada em segunda votação e sancionada pelo governador, a lei "arrisca cair em descrédito". "Na prática, não acredito que será levada a ferro e fogo", afirmou. "Imagine uma loja de informática anunciando uma oferta de mouse (rato, em inglês)."Além disso, acentuou o presidente do Sinapro-PR, essa determinação vai gerar custos extras para os anunciantes, levando o mercado a ficar mais pobre. "Não vai gerar mais renda", lamentou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.