Requião garante emprego à família

Mulher, irmãos, sobrinhos, primo e até cunhada do governador têm vaga na cúpula do governo paranaense

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

26 de janeiro de 2008 | 00h00

Roberto Requião de Mello e Silva, o governador que afirma ser "combatente da democracia desde menino, de moral inatacável, inimigo implacável dos corruptos", entre outros predicados, emprega sua família na cúpula do Executivo do Paraná, Estado que administra pela terceira vez.A dinastia do peemedebista Requião inclui Maristela Quarenghi, sua mulher, por ele nomeada assessora especial e diretora do Museu Oscar Niemeyer. A primeira-dama tem vencimentos de R$ 11. 925, 44.Dois irmãos do governador, Eduardo e Maurício Requião, ocupam respectivamente a presidência da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina e a chefia da Secretaria da Educação. Maurício recebe valor igual ao contracheque da cunhada. Eduardo ganha R$ 18 mil.No Palácio das Araucárias, sede do governo, há lugar para sobrinhos de Requião. João José Arruda Júnior é superintendente de Relações Comunitárias na Companhia de Habitação do Paraná - holerite de R$ 6 mil.Paikan Salomon de Mello e Silva é assessor na Rádio e TV Educativa (RTVE), que o governador usa para promoção pessoal, segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF). Lúcia Requião, irmã, dirige a Provopar Ação Social. Ganha R$ 11.925. Diretor de investimentos da Sanepar (Saneamento do Paraná), Heitor Wallace Mello e Silva recebe R$ 18 mil. É primo do governador. Maria Quarenghi, cunhada, ganha R$ 5,4 mil como assessora no Oscar Niemeyer.Os entes que Requião apadrinhou sem concurso público são alvo do Ministério Público Estadual, que foi à Justiça para pedir o fim do nepotismo e a anulação sumária das nomeações para cargos em comissão."São pessoas probas, equilibradas, honestas e competentíssimas", avalia a Procuradoria-Geral do Estado, que promove a defesa do governo. As nomeações foram ordenadas, em sua maior parte, no início do segundo mandato do peemedebista, em 2003. Ele manteve as indicações ao ser reeleito, em 2006.O primeiro cerco ao clã Requião foi deflagrado pelo PPS, partido de oposição que pediu investigação do Ministério Público. Na ação judicial, o Ministério Público sustenta que os atos de Requião são lesivos ao Tesouro e revelam "prática de favorecimento, configurando afronta direta aos princípios constitucionais da moralidade administrativa, da igualdade e da impessoalidade".A promotoria requereu a exoneração de todos os nomeados para cargos em comissão e funções de confiança que tenham vínculo de parentesco com Requião, consangüíneo ou afim, até o terceiro grau.Terezinha de Jesus Souza Signorini, procuradora que coordena as Promotorias de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público do Paraná, e Maurício Cirino dos Santos, promotor, argumentam que as contratações são "flagrante ilicitude e ilegalidade". "Assumir postura de nepotismo na administração traduz ato de indiscutível falta de ética, de falta de probidade", denuncia a procuradora.E não são apenas os prezados de Requião que ocupam cargos no governo paranaense. A ação em curso na 1ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba aponta também nomeação de familiares do vice-governador Orlando Pessutti, do secretário de Comunicação Social, Airton Carlos Pissetti, e do secretário de Saúde, Cláudio Xavier.

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