Requião diz que proposta do PMDB é ridícula

O ex-governador do Paraná Roberto Requião, que disputará amanhã a indicação do PMDB para ser candidato à Presidência da República, criticou hoje o próprio partido. Requião disse que a legenda não tem programa de governo e chamou a proposta formulada pelo partido de "ridícula". O ex-governador criticou, em especial, a defesa pela permanência da autonomia do Banco Central.

CAROL PIRES, Agência Estado

11 de junho de 2010 | 19h37

"Eu não voto num candidato que se propuser a manter a independência do Banco Central. Se fosse este o caso, para que eleição de presidente da República? Nós poderíamos eleger o presidente do Banco Central através do voto direto e indicaríamos o presidente da República numa lista sêxtupla submetida ao Senado, como hoje se escolhe o presidente do Banco Central", ironizou o peemedebista, que conversou com um grupo de repórteres no gabinete do senador Pedro Simon (PMDB-RS), no Congresso Nacional.

Requião irá competir, neste sábado, na Convenção Nacional do PMDB, à indicação do partido para concorrer à Presidência, atrapalhando os planos do PMDB de fazer a festa que há meses vinha sendo preparada para urgir o nome do deputado Michel Temer (SP) como candidato a vice-presidente na chapa da petista Dilma Rousseff.

A candidatura de Requião é uma forma de marcar posição dentro do partido. Mas, quando esta afirmação é posta contra ele, a resposta é ríspida. "Por que marcando posição? Estou marcando posição desde que me conheço por gente na militância".

Ele diz não se importar em ser o personagem que irá desfazer os planos do PMDB de lançar o nome de Michel Temer por unanimidade como forma de mostrar um partido unido. "Minha filha, partido sólido só o nazista. Todo partido tem divergências internas", respondeu a uma repórter.

Se ganhar na votação interna, sabe que largaria muito atrás dos demais presidenciáveis. "É tarde, mas ainda é tempo". Se perder, já tem outros planos. Se lançará candidato ao Senado pelo Paraná. Apoiará Dilma? "Por que não?", ele devolve a pergunta. "Com uma proposta boa, em uma coligação em que o PMDB não seja a âncora que afunda a coligação para a direita, (apoiaria) com prazer".

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