Requião critica silêncio em relação a mortes de sem-terra

Ele considera que há 'desproporção' entre manifestações a respeito dessas mortes e a de 15 mil trabalhadores

Evandro Fadel, de O Estado de S.Paulo

10 de março de 2009 | 14h25

O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), condenou a atuação de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na morte de quatro seguranças da Fazenda Consulta, em São Joaquim do Monte, no agreste pernambucano, no dia 21 de fevereiro. Mas considerou que há "desproporção" entre as manifestações a respeito dessas mortes e a de 15 mil trabalhadores rurais. O número foi passado ao governador pela superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Cláudia Sonda.   "Para mim é rigorosa e absolutamente inexplicável esta revolta brutal, generalizada, com a morte dos quatro guardiões de terra indevidamente, inexplicavelmente assassinados por militantes do movimento dos trabalhadores sem-terra, mas muito pior é o silêncio do Brasil inteiro, da mídia, da imprensa e dos tribunais em relação ao assassinato de 15 mil trabalhadores rurais", acentuou. As considerações de Requião foram feitas nesta terça, durante assinatura de convênio para regularização ambiental dos projetos de assentamento da reforma agrária no Estado, transmitida pela Rádio e Televisão Educativa.   Demonstrando indignação, o governador repetiu várias vezes o número que lhe foi passado. "São 15 mil trabalhadores assassinados e eu não vi um presidente do Supremo Tribunal publicamente levantar a voz para pôr um freio nessa mortandade no campo, mas o primeiro erro do MST, e é um erro grave, provoca uma manifestação generalizada pela imprensa, pelas grandes redes de televisão e pela voz irada do presidente do STF", criticou.   Ele destacou que sua manifestação não deveria ser entendida como "indulgência plenária" aos movimentos sociais. Segundo Requião, o que aconteceu em Pernambuco foi um "horror" e um "erro sério" cometido por militantes "desviados das direções de seu movimento". Dois sem-terra foram indiciados por homicídio qualificado. "Tem que ser tratado como todo homicídio pela polícia e pela Justiça", disse.   "Seria uma estupidez se alguém pensasse que eu venho aqui referendar assassinato por parte do movimento dos trabalhadores sem-terra, mas eu, como Celso Furtado, mais importante economista brasileiro, acho que o MST foi o mais importante movimento que apareceu no Brasil desde a luta contra a escravatura", acrescentou. "Eles são importantes, mas têm que se conter dentro dos limites da lei."

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