Reprodução
Reprodução

Requerimentos de senadores governistas na CPI foram feitos no Planalto

Assessora da Secretaria da Presidência é indicada como autora de pedidos de Ciro Nogueira e Jorginho Mello, aliados de Bolsonaro; pasta é ligada a ministra indicada pelo Centrão

Lauriberto Pompeu, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2021 | 22h34

BRASÍLIA – A assessora especial da Secretaria de Assuntos Parlamentares da Presidência, Thaís Amaral Moura, é indicada como autora de requerimentos feitos pelos senadores governistas Ciro Nogueira (Progressistas-PI) e Jorginho Mello (PL-SC) na CPI da Covid. É possível encontrar o nome de Thais ao acessar as propriedades dos arquivos das solicitações dos senadores. A pasta é ligada à Secretaria de Governo, comandada por Flávia Arruda.

Jorginho e Ciro integram o Centrão e fazem parte da tropa de choque do governo na CPI da Covid. Marcos Rogério (DEM-RO) e Eduardo Girão (Podemos-CE) também compõem o grupo, mas os requerimentos deles não possuem o nome da assessora.

Entre os requerimentos de Ciro com a autoria identificada como tendo origem no Palácio do Planalto estão a convocação da médica Nise Yamaguchi, conhecida por defender o uso da cloroquina contra o coronavírus, prática não recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), uma vez que pode acarretar efeitos colaterais adversos. Presidente do Progressistas, Ciro também solicitou a convocação do prefeito de Chapecó (SC), João Rodrigues (PSD), como testemunha. 

O presidente Jair Bolsonaro já disse que Rodrigues faz um “trabalho excepcional” porque deu “liberdade” a médicos para prescreverem o “tratamento precoce”, com uso de medicamentos sem eficácia comprovada. “Não sei como salvar vidas, não sou médico, mas não posso tolher a liberdade do médico”, afirmou Bolsonaro em discurso, há duas semanas. 

Jorginho Mello apresentou requerimento que propõe convidar Gilberto Valente Martins, procurador-geral de Justiça no Pará, com o objetivo de ouvi-lo sobre recursos públicos federais repassados para uso no combate ao coronavírus. O pai do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB-AL), é o senador Jader Barbalho (MDB-PA), que é suplente da CPI e está na oposição a Bolsonaro.

Vice-líder do governo, Jorginho também solicitou o depoimento de Paulo Márcio Porto de Melo, presidente da Comissão de Residência Médica (Coreme) do Hospital Militar de São Paulo. Os dois requerimentos têm como identificação a servidora Thaís Amaral Moura. Procurado, o senador não se manifestou.

Embora seja aliado de Bolsonaro, Ciro não tem feito tantos ataques à maioria da CPI, composta por senadores independentes e de oposição. Ele foi o único governista da CPI a votar em Omar Aziz (PSD-AM) para a presidência do colegiado. Aziz fez um acordo com a maioria da comissão para indicar o senador Renan Calheiros (MDB-AL) como relator. Renan não só é crítico de Bolsonaro como se aliou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

Além disso, Ciro também não assinou a ação que os senadores aliados do governo encaminharam ao Supremo Tribunal Federal (STF), em mais uma tentativa de barrar Renan na relatoria. O Palácio do Planalto e Ciro não se manifestaram até a publicação desta reportagem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.