República de juízes traria decepção, diz Gilmar Mendes

Ministro afirma que 'não há salvação fora da política e dos políticos' durante evento na Fiesp

André Ítalo Rocha, Daniel Weterman e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2017 | 16h27

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, afirmou nesta tarde de segunda-feira, 26, que aqueles que defendem uma “República de promotores e juízes” ficariam decepcionados com o resultado. “Considerando os paradigmas que adotamos (o Judiciário), em geral muito concessivo para servidores, se administrássemos o deserto do Saara, faltaria areia em pouco tempo. Portanto, moderação com esse tipo de pretensão”, disse o ministro, em evento sobre a reforma política na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A declaração de Gilmar, que é a favor do projeto que busca combater abusos de autoridade no Judiciário, foi dada em um momento em que alguns nomes ligados ao poder Judiciário são cotados para a eleição presidencial de 2018, como o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa e o juiz federal Sérgio Moro, responsável por julgamentos em primeira instância na Operação Lava Jato. Para o presidente do TSE, se os tribunais estão com problemas, isso se deve a falhas de gestão.

Em sua fala, o presidente do TSE fez uma defesa aos políticos de origem, lembrando que algumas crises econômicas do passado foram superadas a partir da ação de políticos, dando como exemplo o Plano Real. “Não há salvação fora da política e dos políticos”, afirmou.

“Portanto, sejamos críticos às mazelas dos políticos e das políticas, mas tentemos aperfeiçoar o sistema, discutamos com profundidade a superação dos sistemas que se revelam impróprios, mas não tentemos inventar um novo regime, porque com isso corremos o risco, ao introduzi-lo, trazemos o comprometimento sério para os paradigmas democráticos”, acrescentou.

Favorável a uma reforma política, Gilmar defendeu que seja criado o “Plano Real da política”. “Não seria chegada a hora de discutirmos o próprio sistema de governo? Eu deixo aqui essa proposta. Não devemos pensar em resgatar ideia tão vívidas no debate de 1988 (na elaboração da Constituição), de parlamentarismo ou semipresidencialismo, voltar a revisitá-lo, algo que estamos vivendo em certa medida”, afirmou o ministro, que também se mostrou a favor da cláusula de barreira para partidos e o fim das coligações proporcionais. “São tentativas de dar racionalidade ao sistema.”

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