Reposição hormonal dificulta mamografia, diz pesquisa

Mulheres que fazem reposição hormonal precisam de atenção redobrada quando se submetem a exame de mamografia. Os hormônios estrógeno e progesterona aumentam a densidade da mama, o que pode atrapalhar o diagnóstico precoce de câncer. O alerta vem de uma pesquisa a ser apresentada hoje, em São Paulo, no 31.º Congresso Brasileiro de Radiologia. Apesar de o problema já ser conhecido pelos especialistas, é a primeira vez que um estudo brasileiro tão profundo demonstra tais evidências. A pesquisadora Janice Magalhães Lamas, membro da Comissão de Mamografia do Colégio Brasileiro de Radiologia, acompanhou mamografias de 9.291 mulheres, realizadas entre dezembro de 1993 e março deste ano. Os resultados reforçam os achados de estudos internacionais e de pesquisas brasileiras com amostras menores. Sem reposição hormonal, as mamas ganham tecido gorduroso (menos denso) com o passar da idade, permitindo melhor visualização de alterações na mamografia. O tratamento com hormônios provoca o inverso: a gordura da mama é substituída por tecido glandular. "Nesse caso, a imagem da mama na mamografia fica menos transparente", explica Janice. "E pode obscurecer a visualização de tumores em estágio inicial." Cuidados "Estudos como esse reforçam a necessidade de acompanhamento médico enérgico em mulheres que fazem reposição hormonal", diz Mário Mourão Netto, diretor do Departamento de Mastologia do Hospital do Câncer A. C. Camargo. Para Marcelo Zugaib, chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o estudo serve de alerta para médicos e pacientes. "É importante que as mulheres saibam dessa alteração na mama para que possam cobrar de seus médicos mais detalhes na avaliação dos exames." Há dez anos, a educadora de saúde pública Berenice dos Santos Marques, de 61 anos, faz reposição hormonal. Para acompanhar qualquer alteração nas mamas, ela faz mamografia e ultra-som todo ano. A cada seis meses, Berenice visita seu médico. Na consulta, passa por exame clínico minucioso das mamas. "Se há suspeita de alguma alteração, os exames são antecipados. Eu me sinto bem com a reposição, mas não descuido do acompanhamento médico." Em Brasília, foi graças à experiência do radiologista que a corretora de imóveis Sandra Maria Moreira Sampaio, de 55 anos, recebeu o diagnóstico de câncer de mama quando o tumor ainda era bem pequeno. Na época, Sandra fazia reposição hormonal. "O tumor estava escondido, quase não dava para vê-lo."

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