Repórter do 'Estado' recebe o Prêmio Esso

Repórter do 'Estado' recebe o Prêmio Esso

Apuração de 17 meses de Leonencio Nossa sobre assassinatos políticos desde a Lei da Anistia foi vencedora da mais importante premiação do País

CLARISSA THOMÉ, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2014 | 02h03

RIO - O jornalista Leonencio Nossa, do Estado, recebeu na noite de ontem o Prêmio Esso de Jornalismo de 2014, o mais importante da imprensa brasileira, em cerimônia no Hotel Copacabana Palace, no Rio.

Leonencio foi premiado pelo caderno especial Sangue Político, publicado em 13 de outubro de 2013, em que revela a extensão dos crimes de motivação política ocorridos no Brasil a partir de 28 de agosto de 1979, quando entrou em vigor a Lei de Anistia.

Por 17 meses, o repórter da sucursal de Brasília pesquisou acervos de entidades de direitos humanos, arquivos de CPIs, delegacias de polícia e cartórios. Esteve em 35 cidades de 14 Estados. Chegou a 1.133 assassinatos por disputas políticas ao longo de 34 anos - um a cada 11 dias, sendo 56% ocorreram no Nordeste.

"Trata-se de trabalho jornalístico próprio, que não teve origem em investigações ou levantamentos do Ministério Público, das polícias e de outros órgãos do Poder Público", registrou a comissão julgadora.

Em seu discurso, durante a cerimônia, Leonencio destacou a importância do profissional de imprensa no País. "Nunca o Brasil precisou tanto de repórteres. A informação é alimento da opinião e não o contrário. O trabalho de repórteres nas regiões violentas nos dá consciência de que a desconstrução do jornalismo por políticos demonstra, antes de tudo, a visão de que a imprensa não tem história ou só existe nas metrópoles. Os nossos erros não justificam tentativas de desqualificar o ofício necessário", afirmou, sendo aplaudido de pé.

Estímulo. "É um momento importante para o Estadão. O prêmio é mais um estímulo para mantermos a prioridade e o investimento na reportagem, gênero essencial para preservarmos os valores jornalísticos e transportá-los para as novas mídias", disse Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Grupo Estado.

Segundo Leonencio, de 40 anos, 16 de profissão, o levantamento próprio foi a forma encontrada para superar a precariedade dos registros oficiais. "Os órgãos praticamente não existem nas regiões em que faço essas reportagens. Nos inquéritos de crimes políticos, em 74% dos casos a polícia não consegue chegar à autoria dos crimes. O Ministério Público não transforma em denúncia mais de 80% dos inquéritos. E o Judiciário segue no mesmo ritmo", disse o jornalista, que foi finalista do Esso outras quatro vezes. "Nas anteriores, tive a expectativa de ganhar. Dessa vez, não tive nenhuma", contou. O caderno também recebeu o prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos e foi menção honrosa no Prêmio Latino-americano de Periodismo de Investigação.

Além do prêmio principal, foram contemplados mais 13 trabalhos. O Prêmio Esso de Reportagem saiu para a equipe do jornal O Globo que produziu a série Farra de Aditivos na Refinaria Abreu e Lima. A Band ganhou a categoria telejornalismo com O Avanço da Maconha e a revista Piauí, a de melhor contribuição à imprensa.


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