Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Reportagens do 'Estado' vencem Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos

Série 'Terra Bruta' sobre violência no campo nas regiões Centro-Oeste e Norte foi premiada na categoria jornalismo impresso; o texto 'Por cima, não: 'acima', de 2015, recebeu menção honrosa na mesma categoria

O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2016 | 15h51

SÃO PAULO - A série de reportagens "Terra Bruta", publicada pelo Estado entre os dias 10 e 17 de julho de 2016, venceu a 38ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, na categoria jornalismo impresso. Os jurados também deram menção honrosa, na mesma categoria, para a reportagem "Por cima, não: 'acima'", publicada pelo Estado em 22 de agosto de 2015.

A decisão foi anunciada nesta sexta-feira, 7, durante sessão pública realizada na Câmara Municipal de São Paulo. "Terra Bruta" obteve nove dos dez votos dos jurados responsáveis pelo prêmio, que é o mais antigo e tradicional da imprensa brasileira. O trabalho foi realizado por André Borges e Leonencio Nossa (textos), Dida Sampaio e Hélvio Romero (fotos e vídeos), Luciana Garbin (edição), Fábio Salles (direção de arte) e Everton de Oliveira (edição de vídeo). 

A investigação jornalística durou sete meses. Entre setembro de 2015 e março de 2016, a reportagem percorreu 15 mil quilômetros de estradas federais das regiões Centro-Oeste e Norte do País para expor uma rede de corrupção que promove o roubo de madeira e de terras públicas na Amazônia e, consequentemente, financia a matança de índios e camponeses.

O trabalho apresenta uma cadeia criminosa que, sob chancela de juízes e procuradores, faz uso de títulos "fantasmas". Trata-se de uma verdadeira "floresta de papel", usada por servidores públicos, políticos e os próprios órgãos de controle para saquear a floresta.

Por meio de um inédito cruzamento de informações públicas e de entidades da sociedade civil, "Terra Bruta" mostrou que 1.309 pessoas morreram nos últimos 20 anos nesses conflitos. A investigação derruba os dados oficiais do governo, que classificava os crimes por disputas de terra como mortes comuns.

O trabalho foi tema de audiência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, em agosto. A partir da reportagem, parlamentares cobraram da Polícia Federal a relação detalhada das empresas de segurança privada e registros de armas.

A investigação também repercutiu na representação estrangeira. Um grupo de 20 embaixadores de países da Europa no Brasil debateu as denúncias em evento realizado na Embaixada do Reino dos Países Baixos. Esse encontro, realizado em setembro, teve a presença de representantes da Alemanha, Bélgica, Bulgária, Eslováquia, Espanha, França, Grécia, Itália, Islândia, Noruega, Reino Unido e Suécia. O trabalho foi tema de um relatório traduzido e enviado para cada um desses países

"Por cima, não: 'acima'". Premiada com menção honrosa, a reportagem "Por cima, não: 'acima'", de Vitor Hugo Brandalise, narrou o trágico roteiro da morte de Adílio Cabral dos Santos, ambulante que ficou por baixo dos trens na Estação Madureira, no Rio de Janeiro, em agosto do ano passado. No trabalho, Brandalise detalha a vida de Adílio, homem negro, de 33 anos, que vendia doces na estrada de ferro onde teve o corpo atropelado por uma sequência de trens. 

A reportagem expõe a banalização da vida, a indiferença com que foi tratada a morte do trabalhador, tanto por pessoas que estavam próximas ao local do atropelamento quanto por agentes da empresa SuperVia, que justificou sua decisão de prosseguir com os trens sobre o corpo de Adílio sob o argumento de que, caso contrário, colocaria 6 mil pessoas em risco se os trens parassem.

O júri do prêmio Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos é formado por representantes da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil (Unic Rio), Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, Conectas Direitos Humanos, Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Nacional), Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Instituto Vladimir Herzog, Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo, Ordem dos Advogados do Brasil Secção São Paulo, Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom).

Mais conteúdo sobre:
AmazôniaWladimir Herzog

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.