Reportagens de Rohter sobre o Brasil geravam controvérsias

O tom ácido da reportagem acusando o presidente Luís Inácio Lula da Silva de "bebericar" em excesso não era novidade no trabalho do correspondente Larry Rohter, do New York Times, no Brasil. De suas reportagens, com freqüência emerge um País marcado pela pobreza, que impiedosamente depreda sua natureza, queima suas florestas, escraviza seus cidadãos e extermina seus índios, em diagnósticos que geram controvérsia e reações. Mas o correspondente já fez também reportagens elogiosas a artistas do País, como Roberto Carlos, e até à Região Serrana do Rio de Janeiro, entre outros assuntos.Em suas reportagens, Rohter já comparou o racionamento de energia elétrica brasileiro, em 2001, ao da Califórnia; acusou o PT de tentar bloquear as investigações do caso Celso Daniel; ironizou a imitação da Estátua da Liberdade no New York City Center, na Barra da Tijuca, iniciativa que também foi atacada por colunistas cariocas. Acompanhou ainda, mas em tom sóbrio, a polêmica em torno da decisão brasileira de fichar e fotografar os americanos em visita ao País, no texto "Para visitantes, impressões digitais e fotos", de 22 de fevereiro passado. "A nova política (do Brasil) é uma resposta direta a um programa similar iniciado nos Estados Unidos mês passado e aplicado a todos, menos visitantes de 27 nações, predominantemente européias, dos quais não se requer visto", explicou.Em contraste, Rohter já elogiou até projetos ecológicos, como um tocado pelo governo petista do Acre, com US$ 108 milhões de um empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento e apoio de organizações como o Environmental Defense e o World Wildlife Fund. "Sinal dessa mudança é que os camponeses estão sendo encorajados a cultivar seringueiras e castanheiros, os pilares duplos da economia local, antes que os grandes desflorestamentos começassem, nos anos 70", escreveu o correspondente. Também foi elogioso o artigo "De empregada doméstica a governadora do Rio, e ainda na luta", que escreveu sobre a então governadora petista Benedita da Silva em 2002. Ironicamente, até hoje o texto está no site do PT, sob uma foto de Lula candidato e sorridente.

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