Repasses buscavam 'abrir portas', afirma Pessoa em delação

Empreiteiro, segundo documento obtido pelo'Jornal Nacional', fez doações para 15 partidos e, em 2006, para Lula

O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2015 | 02h02

Novos documentos da delação premiada do empreiteiro da UTC Ricardo Pessoa revelados ontem pelo Jornal Nacional, da TV Globo, mostram que o delator admitiu ter feito repasses legais e ilegais para 15 partidos e que as doações eleitorais de sua empresa visavam "abrir portas" no Congresso e em todos os órgãos públicos.

Dentre os repasses, segundo a reportagem, o delator admitiu ter entregue R$ 2,4 milhões em espécie para a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, mas admitiu não saber se o petista tinha conhecimento de que o dinheiro era ilegal. Segundo Pessoa, ele se reuniu sete vezes com Lula.

Além disso, Pessoa admitiu que fez repasses de cerca de R$ 3 milhões para a empresa JD Assessoria, de José Dirceu, mesmo depois que o ex-ministro foi preso no julgamento do mensalão "apenas e tão somente em razão de se tratar de José Dirceu e de sua grande influência no Partido dos Trabalhadores".

Na lista apresentada pelo executivo aos investigadores estão os principais partidos da base aliada e também da oposição: DEM, PMDB,PP, PPS, PR, PSC, PSDB, PC do B, PV, PDT, PTB e até o nanico PRTB. Segundo a reportagem, contudo, a lista não distingue o que é dinheiro de doação oficial e o que é recurso de propina.

O material também revela novos nomes de políticos que ainda não tinham aparecido até então, como o do deputado cassado Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão e que, segundo Pessoa, teria recebido R$ 200 mil "por fora" para "manter a porta aberta no PR". Outro nome que aparece nos documentos é o do filho de Dirceu, o deputado Zeca Dirceu (PT-SP) que, segundo o delator, recebeu R$ 100 mil da empresa após um pedido de Dirceu para Pessoa.

Outra planilha revelada pela reportagem descrita como "controle conta corrente Vaccari" indica, segundo o delator, o valor que o ex-tesoureiro teria retirado de uma conta da UTC "em decorrência das obras com a Petrobrás" no valor de R$ 3,9 milhões. Um outro documento mostra repasses da empreiteira para o PT de maio de 2006 a junho de 2014, no total de R$ 16,6 bilhões.

Defesas. A defesa de Vaccari disse que fazia parte das atribuições dele pedir dinheiro para o partido, mas que os pedidos eram sempre para doações legais. Valdemar não quis se manifestar. PT e PP informaram que só receberam doações legais e declaradas à Justiça Eleitoral. A defesa de Dirceu negou que o ex-ministro tenha recebido pagamentos ilícitos e que tenha pedido doação para o filho do ex-ministro. A assessoria de Lula diz que não tem conhecimento dos dados citados, considera que houve "vazamento seletivo" e talvez ilegal e que não vai se manifestar.

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