Repasse do PAC dificulta votação da CPMF, diz Casagrande

"É preciso acabar com lambança de transferir dinheiro em véspera de eleições para ganhar votos", diz Guerra

Cida Fontes,

14 de novembro de 2007 | 19h28

O senador Renato Casagrande (PSB-ES) admitiu nesta quarta-feira que, se o presidente Luiz Inácio da Silva não vetar a parte da medida provisória (MP) que permite o repasse de recursos de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) a Estados e Municípios inadimplentes com a União e durante o período pré-eleitoral, será "muito difícil" desobstruir a pauta do Senado e abrir caminho para a votação em primeiro turno da emenda constitucional que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Veja também: Entenda como é a cobrança da CPMF  Veja quem votou a favor e contra a CPMF na CCJ Após Mozarildo, Simon vira novo 'alvo' e sai da CCJ Governo e aliados fecham acordo para aprovar a CPMF na CCJ Com acordo, líder prevê votação da CPMF em dezembro   "É preciso acabar com a lambança de transferir dinheiro público em véspera de eleições para ganhar votos", reagiu o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE). "É preciso retomar o texto aprovado no Senado", disse Casagrande, referindo-se ao acordo fechado entre senadores da base do governo e da oposição em torno da MP, mas que foi derrubado pela Câmara. O PSDB anunciou a decisão de obstruir a pauta do Senado, trancada por três MPs, e o DEM (ex-PFL) pode acompanhar essa posição.   O PSB não vai seguir a estratégia da oposição, informou Casagrande. Os entendimentos com o presidente Lula em favor de vetos parciais à MP - aprovada ontem (13) na Câmara estão sendo conduzidos pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Além desse problema, o governo poderá enfrentar outras dificuldades no caminho da votação da prorrogação da CPMF. Uma delas é a votação do terceiro processo contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) que está sendo discutido hoje no Conselho de Ética. Romero Jucá prega calma, mas a preocupação com a votação do processo contra Calheiros no plenário do Senado é evidente, pois poderá desestabilizar a base aliada. "Qualquer interferência vira um elemento de conturbação", disse Jucá.   Ele pede bom senso e análise precisa das repercussões em torno do relatório do senador Jefferson Peres (PDT-AM), que, no Conselho de Ética, pede a cassação do mandato de Calheiros. A expectativa de Jucá é a de votar, no Senado, a emenda da CPMF em primeiro turno no período de 5 a 7 de dezembro e o segundo turno de 16 a 18.

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