Repasse de diretórios esconde nome de doadores da eleição

Via comitê, Diretório Estadual do PSDB foi o maior doador de Alckmin e deu ao todo R$ 6,5 milhões

Ricardo Brandt, O Estadao de S.Paulo

11 de novembro de 2008 | 00h00

O Diretório Estadual do PSDB foi o maior doador do candidato derrotado à Prefeitura de São Paulo pelo PSDB, Geraldo Alckmin, que conseguiu arrecadar em toda campanha eleitoral R$ 16,1 milhões, valor bem abaixo dos R$ 25 milhões estipulados inicialmente pela candidatura à Justiça Eleitoral como teto de gastos, quando ele ainda aparecia como segundo colocado na disputa, segundo as pesquisas de intenção de voto.Ontem, o Tribunal Regional Eleitoral divulgou o detalhamento dos doadores de campanha de Alckmin e dos candidatos Paulo Maluf (PP) e Soninha Francine (PPS), também derrotados já no primeiro turno. Todos lançaram em suas prestações nominais doações repassadas pelos comitês financeiros partidários criados para a campanha, uma forma de dificultar o acesso a nomes dos doadores.No caso de Alckmin, das 64 doações feitas nominalmente ao candidato, apenas uma foi feita por pessoa jurídica. É uma doação de R$ 250 mil feita no dia 26 de agosto pelo Banco Itaú. Todas as demais foram repasses feitos pelo Comitê Financeiro Municipal do PSDB. É na análise das contas do comitê de campanha de Alckmin que o Diretório Estadual do PSDB aparece como o maior doador. Ele deu ao todo R$ 6,5 milhões para a candidatura, possível reflexo das dificuldades que teve o candidato na arrecadação de fundos.O detalhamento dos doadores, em 15 folhas, mostra ainda que as seis maiores doações recebidas pelo comitê são do próprio partido estadual: duas de R$ 1,1 milhão; uma de R$ 900 mil; duas de R$ 750 mil e uma de R$ 700 mil.O repasse feito pelo diretório é uma forma de ocultar os verdadeiros doadores da campanha, já que eles não são obrigados a apresentar à Justiça Eleitoral prestações de contas que mostrem de onde vieram os recursos. Isso só será feito na prestação de contas partidária, que ocorre anualmente.Em sétimo e oitavo colocados na lista de maiores doadores estão duas grandes empresas: a Bracol Holding Ltda (R$ R$ 530 mil), do grupo Bertin, e a construtora CR Almeida (R$ 500 mil).Há também doações de altos valores em nome do Diretório Nacional do PSDB, como o repasse de R$ 400 mil, feito em 4 de setembro, e o de R$ 375 mil, em 9 de setembro. Ao todo, o direção nacional do partido nacional repassou R$ 1,5 milhão para a campanha. Há ainda doações de grandes construtoras como OAS e Marquise.SONINHA X MALUFA declaração de doações e gastos da candidata Soninha mostrou que sua campanha gastou mais que o ex-prefeito Paulo Maluf. Enquanto a vereadora e pleiteante pela primeira vez ao cargo de prefeito declarou ter recebido R$ 550,5 mil durante a disputa, o veterano Maluf, prefeito da cidade por duas vezes, registrou uma receita de R$ 381,1 mil. Tanto no caso do quarto colocado, Maluf (5,91% dos votos), quanto no caso da quinta colocada, Soninha (4,19% dos votos), a maior parte das doações entrou via comitê financeiro da campanha. No caso da candidata Soninha, foram feitas 96 doações, sendo que 85 delas em nome do Comitê Financeiro Único do PPS. Maluf recebeu 35 doações nominais sendo que 13 do Comitê Financeiro do PP e 7 do Diretório Estadual do partido. Dos 381,1 mil arrecadados, apenas R$ 3,1 mil vieram por pessoas físicas e jurídicas.

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