Renúncia de Cunha Lima é 'covardia', diz viúva de rival

Deputado renunciou ao mandato para não ser julgado pelo STF; ele é acusado de tentar matar ex-governador

ADELSON BARBOSA DOS SANTOS, Agencia Estado

31 Outubro 2007 | 19h06

A professora Glauce Burity, viúva do ex-governador da Paraíba, Tarcísio de Miranda Burity, afirmou que a renúncia do deputado federal Ronaldo Cunha Lima (PSDB) para não ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) foi "uma covardia". Cunha Lima responde pela tentativa de assassinato contra Burity, seu desafeto político.   Na condição de governador da Paraíba, ele atirou três vezes em Burity - que não morreu - no dia 5 de novembro de 1993, em um restaurante de João Pessoa, alegando legítima defesa da honra do filho, Cássio Cunha Lima, hoje governador do Estado e que estaria sendo vítima de ataques verbais do adversário. Com a renúncia, Cunha Lima deve ser julgado pelo Tribunal do Júri Popular, em João Pessoa. "Foi com muita indignação que nós todos, eu e meus filhos, soubemos da renúncia. Chegamos à conclusão que foi uma atitude covarde. Ele praticou o ato e deveria assumir", disse Glauce.   Ela acrescentou que confia na Justiça e acredita que o ex-governador será condenado pela tentativa de homicídio. Conforme a viúva, a decisão de Cunha Lima é uma manobra para ganhar tempo, "porque ele tem medo da condenação". Segundo ela, Cunha Lima se apega ao fato de Burity tê-lo perdoado antes de morrer. "Tarcísio o perdoou em um momento de debilidade física. Ele estava doente. Mas perdão não significa aproximação. Tarcísio o perdoou para se livrar da insistência dele e da família pelo perdão", assegurou a ex-primeira-dama da Paraíba.   Crime   O crime ocorreu em 5 de dezembro de 1993. O ex-governador Tarcísio Burity estava almoçando em um restaurante de João Pessoa quando Cunha Lima entrou no estabelecimento e atirou no adversário. Os tiros atingiram a boca do ex-governador, que foi socorrido a tempo.   Cunha alegava, sem provas, que Burity vinha difamando seu filho Cássio Cunha Lima, então superintendente da extinta Sudene, hoje governador eleito da Paraíba pelo PSDB. Burity morreu dez anos depois do crime, de falência múltipla dos órgãos.

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