Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Renúncia de Cunha coloca em xeque impeachment de Dilma, diz Cardozo

O advogado e ex-ministro chamou a atenção para o fato de Cunha ter confessado que 'sem dúvida alguma' o marco da sua gestão foi ter admitido a abertura do processo de impedimento contra a presidente afastada

Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2016 | 17h34

BRASÍLIA – O advogado e ex-ministro José Eduardo Cardozo, defensor da presidente afastada Dilma Rousseff, afirmou nesta quinta-feira, 7, ao Broadcast que a decisão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de renunciar à Presidência da Câmara coloca em xeque o processo de impeachment da petista. Cardozo chamou a atenção para o fato de Cunha ter confessado, no discurso em que abdicou do comando da Câmara, que “sem dúvida alguma” o marco da sua gestão foi ter admitido a abertura do processo de impedimento contra Dilma.

“A fala dele demonstra claramente o que estamos alegando desde o início, que houve desvio de poder na decisão dele de admitir o pedido”, disse Cardozo. “Confirma exatamente que ele não fez aquilo diante de uma ilegalidade, mas sim para atingir uma presidenta que não paralisava as investigações contra ele”, completou.

O defensor de Dilma disse que vai pedir a juntada do pronunciamento de Cunha ao processo de impeachment que corre no Senado para comprovar a irregularidade do pedido. Disse também que pretende estudar se recorre novamente ao Supremo Tribunal Federal (STF) com base na manifestação do agora ex-presidente da Câmara.

Para Cardozo, a decisão de Cunha, somada à falta de provas de que Dilma cometeu crime de responsabilidade, pode dificultar uma eventual condenação da presidente afastada pelo Senado. Para a petista ser retirada definitivamente do cargo, Dilma terá de receber ao menos 54 dos 81 votos em um julgamento futuro.

O advogado da presidente afastada afirmou que, por ora, não é possível dizer se houve um acordo do governo do presidente em exercício, Michel Temer, para salvar o mandato de Cunha após a renúncia. Cardozo disse que, se tiver sido mesmo firmado um acordo, o governo interino vai responder por isso perante a sociedade.

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