Renovado, "Estado" faz 131 anos

O jornal O Estado de S. Paulo" completa hoje 131 anos de existência - 126 dos quais de vida independente, excluindo-se os cinco em que esteve sob intervenção do Estado Novo, implantado por Getúlio Vargas. O aniversário ocorre num momento de profunda reformulação do veículo que começou a circular como A Província de São Paulo, em defesa dos ideais abolicionistas e republicanos, que viraram a página da história, com a adoção do título O Estado de S. Paulo. Em 2005, o Estado foi o grande vencedor do Caboré, o mais importante prêmio da publicidade e da comunicação brasileiras, na categoria veículo impresso. Também, pelo terceiro ano consecutivo, foi eleito em 2005 o Veículo Mais Admirado em pesquisa da Troiano Consultoria de Marcas, também em parceria com o Grupo Meio & Mensagem. Para o presidente do Conselho de Administração do Grupo Estado, Roberto Mesquita, esses prêmios são resultado do firme propósito de levar, todos os dias, aos leitores, um produto de qualidade. Foram mais de uma dezena de prêmios relacionados ao projeto de contínua reformulação do veículo, iniciada em 17 de outubro de 2004, quando apresentou aos leitores o seu novo projeto gráfico, complementado pelo lançamento de cadernos e suplementos, entre os quais Aliás, Casa&, Link, Paladar, Guia, TV&Lazer, Vida&, Metrópole, Negócios e Retratos do Brasil. Os ideais democráticos que inspiraram os fundadores de A Província de São Paulo em 1875 se concretizaram após a proclamação da República, quando o nome de Julio Mesquita já aparecia no cabeçalho da primeira página como redator-gerente. Pioneiro na venda avulsa, graças à criatividade do francês Bernard Gregoire, que todas as manhãs percorria as ruas a cavalo, gritando as notícias do dia com um pacote de jornais debaixo do braço, o Estado inovou no mercado. Sua tiragem, que começou com 2.025 exemplares, chegava a 18 mil em março de 1897, com a publicação das reportagens de Euclides da Cunha sobre a Campanha de Canudos. Durante a 1.ª Guerra Mundial, Julio Mesquita, que ocupou a direção de 1891 a 1927, escreveu boletins e artigos semanais sobre o conflito. Nesses textos, publicados em livro em 2002, o jornalista tomou posição inequívoca em favor dos aliados. Além da edição da manhã, a empresa publicava também o Estadinho, vespertino lançado em 1915 que circulou até 1921. Seu diretor era Julio de Mesquita Filho. Na Revolução de 1924, o jornal sofreu as conseqüências de sua neutralidade. Censurado pelos revoltosos comandados pelo general Isidoro Dias Lopes, foi suspenso pelas forças federais do presidente Artur Bernardes. Julio Mesquita foi preso e enviado para o Rio. Nova fase se iniciou em 1927. Com a morte de Julio Mesquita, assumiram a direção Julio de Mesquita Filho e Nestor Pestana. Enquanto Julio de Mesquita Filho respondia pela redação, seu irmão Francisco Mesquita cuidava da administração. O Estado, que havia apoiado Getúlio Vargas em 1930, se opôs a ele na Revolução Constitucionalista de 1932, quando São Paulo recorreu às armas para exigir uma Constituição. Presos e mandados para o exílio em Portugal, Julio de Mesquita Filho e Francisco Mesquita voltaram ao Brasil em 1934. Durante o Estado Novo, Julio de Mesquita Filho foi preso 17 vezes. Exilado outra vez em Lisboa e depois em Buenos Aires, estava na Argentina quando a Força Pública ocupou o jornal, em 25 de março de 1940. O Estado passou cinco anos e meio sob intervenção, período que não se conta em sua história. Só foi devolvido em dezembro de 1945. Seis anos depois, o jornal se mudou para a Rua Major Quedinho, no Centro de São Paulo, onde permaneceria até 1976. Foi ali que nasceram a Rádio Eldorado, em 1958, o Jornal da Tarde, em 1966, e a Agência Estado, em 1970. Sempre no dia 4 de janeiro. Com a morte de Julio de Mesquita Filho, em 1969, o jornalista Julio de Mesquita Neto o substituiu. O jornal não se dobrou diante da censura imposta pelo regime militar de 1964. Seus proprietários se recusaram a substituir as matérias cortadas pelos censores e, como não podiam deixar espaços em branco, publicaram repetidamente versos de Os Lusíadas, de Camões, no Estado e receitas culinárias no Jornal da Tarde. A censura só acabou em janeiro de 1975, quando o Estado comemorava seu centenário. Após a morte de Julio Neto, em 1996, Ruy Mesquita assumiu a direção.

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