Renan vira até 'corretor' de gabinete para salvar o mandato

Para atrair Cristovam Buarque, presidente do Senado oferece gabinete maior e melhor localizado ao pedetista

Eugênia Lopes e Rosa Costa, do Estadão

17 de julho de 2007 | 00h05

Na tentativa de evitar ter o mandato cassado, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não mede esforços para conquistar os senadores com pequenos agrados. No último sábado, incorporou o papel de "corretor" de gabinete. Renan telefonou para o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) e ofereceu um gabinete bem mais amplo e melhor localizado no Senado.   Entenda o caso Renan Renan diz que não pensa em recorrer ao STF Renan enfrenta mais um teste e Planalto observa Eleito em 2002, o pedetista já tentou, pelo menos duas vezes, mudar de gabinete, sem sucesso. Cristovam não quis, no entanto, ocupar o gabinete oferecido por Renan que era de seu adversário político, o ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), que renunciou ao mandato para fugir da abertura de processo por falta de decoro parlamentar. "Não tenho medo de macumba, não. Mas não quis ficar com esse gabinete", contou Cristovam Buarque. O gabinete do pedetista fica na pior ala do Senado, situada a quase um quilômetro do plenário da Casa. Além disso, é preciso percorrer um verdadeiro labirinto - que inclui uma passagem pela biblioteca do Senado - para chegar ao gabinete de Cristovam. Essa ala do Senado é geralmente ocupada por senadores de primeiro mandato.  "Desde o ano passado tento mudar de gabinete. Não foi dessa vez que consegui", lamentou o senador. "Não faz mal. Assim aproveito e faço um regime porque tenho de andar muito para chegar ao plenário", completou. O gabinete oferecido por Renan ao pedetista foi ocupado pelo senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR). A ligação telefônica de Renan para Cristovam Buarque não foi em vão. O pedetista aproveitou o telefonema e acertou uma ida até a residência oficial do Senado para conversar pessoalmente com Renan. "Ele (Renan) não deu sinais de que vai deixar o cargo. Mas eu o senti menos firme do que antes. Para mim, ele admitiu que talvez tenha sido um erro não ter se afastado da presidência", contou Cristovam Buarque.  O PDT é um dos partidos que defende o afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado durante as investigações abertas pelo Conselho de Ética sobre a acusação de que o peemedebista teria despesas pessoais pagas por lobista de empreiteira.

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