Renan vai publicar nota pedindo isenção em perícia do impeachment

Atitude pode causar renúncia do perito; defesa de Dilma questiona escolhido, pois ele teria forte engajamento contra a presidente afastada

Isabela Bonfim, O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2016 | 10h36

BRASÍLIA - Após a Comissão Especial do Impeachment rejeitar o pedido da defesa de Dilma para impugnar o coordenador da perícia do processo, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse a interlocutores que irá publicar uma nota criticando a isenção do procedimento. A atitude deve gerar constrangimento e pode causar a renúncia do perito.

A perícia será realizada por uma equipe de três técnicos do Senado Federal e deve começar nessa quinta-feira. A defesa da presidente afastada questionou a postura do coordenador do procedimento, Diego Alves, argumentando que ele tem forte engajamento contra Dilma. O ex-advogado-geral da União alegou suspeição do perito e pediu sua impugnação, mas a maioria da comissão, formada pela base de Temer, rejeitou o pedido. 

Renan disse a senadores que não caberia a ele pedir a saída do perito, afirmou que não quer se envolver em questões da Comissão do Impeachment e alegou que as decisões finais cabem ao presidente do colegiado, Raimundo Lira (PMDB-PB). Entretanto, o presidente do Senado ponderou que pode publicar uma nota pedindo, de forma abrangente, que haja isenção na realização da perícia. A nota de Renan deve causar constrangimento ao perito e acabar provocando sua renúncia.

Ato repetido. Essa não seria a primeira interferência de Renan nos trabalhos da comissão, mesmo sem agir diretamente. Quando os senadores da base de Temer aprovaram o encurtamento de prazos do processo, Renan também divulgou uma nota com críticas à postura da comissão. No dia seguinte, os governistas acabaram fechando acordo e a comissão voltou atrás, retomando o calendário inicial do processo.

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