Renan vai à tribuna e parte para o ataque para se defender

Presidente do Senado ataca negócios da Abril, se defende do caso Schin, mas não cita a compra de emissoras

09 de agosto de 2007 | 17h07

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), voltou à tribuna nesta quinta-feira, 9, para tentar se defender das acusações que pesam sobre ele. Desta vez, o senador partiu para o ataque ao grupo Abril, responsável pela publicação da revista Veja. Renan aponta supostas irregularidades na venda da TVA (a cabo) pela Abril à Telefônica. Veja também: Cronologia do caso Renan    Em nota, Editora Abril diz que acusação de Renan é 'leviana'  'Laranja' de Renan é réu em processso na Justiça Federal Veja especial sobre o caso Renan  Renan tentou se defender apenas das acusações que envolvem a compra de uma fábrica da família Calheiros pela cervejaria Schincariol, e não tratou - durante seu breve discurso - das denúncias de que teria feito uso de "laranjas" para a compra de emissoras de rádio em Alagoas. Sobre o caso Schin, o senador diz que enviou documentos ao Conselho de Ética que desmentem as acusações:"Mais que desmentir, desmonta a tese de que eu teria me beneficiado". Segundo a Veja, o senador teria intercedido em favor da cervejaria após o negócio. A empresa teria dívidas com a Receita Federal e com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). "A Schincariol está em dia com o governo, não tem nenhum débito com a União." Sobre a venda de gado, que tenta comprovar, afirmou que chegam nesta quinta-feira à Polícia Federal os primeiros lotes de cheque depositados que comprovam as transações.  O negócio é o principal argumento de defesa de Renan no processo a que responde no Conselho de Ética. Ele tenta provar que tinha rendimento suficiente para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento, e não precisava de recursos de uma empreiteira.  Ainda sobre o grupo Abril, o senador afirmou que enviou nesta quinta ofícios à Polícia Federal, Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), ao Ministério das Comunicações e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o negócio. Segundo ele, a operação pretende "ilegalmente" passar para a espanhola o controle acionário da TVA (91,5%). Renan disse mais uma vez que as denúncias não tem provas, "nem uma sequer". Ainda sobre o grupo Abril, afirmou: "Eles (grupo) sabem que eu vou lutar, não me silenciarão. Não me acovardo, não abaixo a cabeça para seus interesses menores. Acabo de requerer formalmente todos os votos da Anatel que trataram desse assunto". E completa dizendo: "O Brasil não pode continuar sendo visto como terreno fértil para ambição de empresários". Resposta Após o ataque de Renan à revista Veja, a Editora Abril divulgou nota no início da noite desta quinta-feira, 9, dizendo ser "leviana" a acusação do senador. Renan aponta supostas irregularidades na venda da TVA (a cabo) pela Abril à Telefônica. A nota diz ainda que o negócio está "dentro da lei" e já foi aprovado pela Anatel. E reitera que as revelações da publicação foram apuradas "rigorosamente" e que os problemas do senador "derivam de sua conduta".

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