Renan vai a julgamento amanhã com tendência pela absolvição

Avaliação é de que nova denúncia, de uso da Polícia Legislativa para espionagem, não interferirá na votação

Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

03 de dezembro de 2007 | 00h00

Passados 82 dias de sua absolvição no primeiro processo levado a plenário, o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), volta a ser julgado amanhã por quebra de decoro parlamentar. A tendência é de que ele seja novamente inocentado, mesmo enredado por nova denúncia, de mobilizar a Polícia Legislativa para bisbilhotar senadores de oposição. Desta vez, ele é acusado de ter usado laranjas na compra de duas rádios e um jornal em Alagoas, em sociedade com o usineiro João Lyra, autor da denúncia. Veja a cronologia do casoTanto parlamentares da base aliada quanto de oposição apostam que Renan terá um placar mais favorável do que no primeiro julgamento, de 12 de setembro, quando contou com os votos de 46 senadores - 40 votaram contra a cassação e 6 se abstiveram. Outros 35 votaram pela perda de mandato. Ele era acusado de ter contas pessoais - incluindo pensão para a jornalista Mônica Veloso, com quem teve uma filha fora do casamento - pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior."O silêncio do processo traduz o acórdão", resumiu ontem o líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN). A oposição está certa da existência de um acordo entre Renan e o PT. Em troca da aprovação da emenda constitucional que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011, os petistas votariam contra a cassação. No primeiro julgamento, parte da bancada do PT votou pela abstenção, o que ajudou Renan.Apesar de o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) já ter avisado que, desta vez, votará pela cassação, a oposição está convicta de que a maioria dos petistas salvará o presidente licenciado do Senado. A avaliação é de que apenas Mercadante e Eduardo Suplicy (PT-SP) votarão pela perda de mandato. Para que ele seja punido, 41 dos 81 senadores precisam votar pela cassação. O voto é secreto, mas amanhã, ao contrário de 12 de setembro, a sessão será aberta.Para salvar o mandato, Renan teria se comprometido a renunciar à presidência. Em conversas reservadas, ele garante que deixará o posto para dedicar-se mais a Alagoas. Mas só fará isso assim que o nome do sucessor estiver acertado no PMDB, o que poderá acontecer pouco antes da sessão de amanhã.Entre os candidatos a sucedê-lo estão o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) e o líder do PMDB, Valdir Raupp (RO). "Tenho o compromisso de apoiar o Garibaldi", disse o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). Pedro Simon (PMDB-RS) é outro que pretende apoiar Garibaldi.CORPORATIVISMOSenadores da base aliada e de oposição também apostam que Renan será inocentado devido ao corporativismo da Casa e sob o argumento de que não há prova concreta contra ele, apesar de indícios de quebra de decoro.Levantamento feito pelo Estado apontou que pelo menos 23 senadores são donos de veículos de comunicação. "E ninguém no Senado quer abrir o precedente de cassar um parlamentar por isso", observou a líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC).A avaliação é de que nem mesmo a nova denúncia - de que teria usado a Polícia Legislativa para investigar adversários - deverá atrapalhar a absolvição. "Não sei se isso terá alguma influência", disse o senador Marconi Perillo (PSDB-GO), um dos alvos das investigações.O relatório do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que atestou a legalidade da ação contra Renan, foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por 17 votos a 3. No Conselho de Ética, o parecer de Jefferson Péres (PDT-AM) passou por ampla margem: 11 votos a 3.

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